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sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Divulgação do e-livro no Entretextos

O site Entretextos divulgou o e-livro "Nos úmidos planos das mãos". Abaixo está o comentário do site. Para acessar clique aqui. Sempre grato!cessar clique aqui. Sempre grato!





Jefferson Bessa é poeta. Já conquistou seu "leitorado", mas como o escritor - ou melhor, a obra que escreve e reescreve - vive do contato verbo-auditivo-visual com os leitores, Entretextos apresenta e-livro de Jefferson Bessa. Quem não leu ainda não sabe o que deixa de degustar. Bom apetite!

domingo, 4 de março de 2012

... Das loucuras: um poema de Mirze

Claude Monet

Se nos meus morreres tanto vivo,
em loucuras, dizeres e saberes.
Se não há profeta que diga a hora
que vem galopante como agora;


Para mim que nada sei ainda
de fechar abertas feridas,
e rever as fechadas chagas,
que a vida em minha pele tatuou.


Vivo. E por insistir em viver
morro sempre em cada amanhecer.


Retirado do blog da Mirze: Meu lampejo

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

UM POEMA DE OMAR KHAYYAM


Uma vez que se ignora o que é que nos reserva
O dia de amanhã, busca ser feliz hoje.
Vai sentar-te ao luar e bebe. Pois talvez
Não vivas mais quando amanhã voltar a lua.

Tradução Manuel Bandeira.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Poesia Pura de Mário Quintana


A poesia pura? coisa tão impossível como a imaginação pura.
Ambas se compõem de resíduos, detritos, restos de maré vazante...
Mas sabe lá o que pode um mágico extrair daí!
E a imponente, luzente cartola desses prestidigitadores de palco é apenas um pobre símbolo da maravilhosa lata de lixo dos Grandes e Verdadeiros Magos.

Da Preguiça como Método de Trabalho (1987).

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

A flor e a empregada de Dade Amorim




Minha patroa insiste
: da flor a água se muda todo dia.
O dia todo ela fala
(sua voz me cansa o ouvido)
a flor não muda e repete
que mude a água da flor
esquecida em sua jarra.

A flor tem que ter sua muda
toda semana
(ela nem ouve
as coisas que eu resmungo).
Se a flor da jarra não muda
a flor perde todo viço
eu sempre aviso
(prefiro o lado da flor
que ao menos sofre calada)
– e a flor cada vez mais triste.

Ela diz que é minha a culpa
ainda que eu mude a água
e ela se esqueça da flor.

A flor já não resiste
e morre
cabisbaixa.

Dia desses não aguento
me livro de flor e jarra
e procuro uma patroa
que entenda tanto de flores
quanto eu.


Do blog: Inscrições

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Mário de Sá-Carneiro: o poema FIM




Quando eu morrer batam em latas,
Rompam aos saltos e aos pinotes,
Façam estalar no ar chicotes,
Chamem palhaços e acrobatas!

Que o meu caixão vá sobre um burro
Ajaezado à andaluza...
A um morto nada se recusa,
Eu quero por força ir de burro.

domingo, 19 de setembro de 2010

Elegia: um poema de Geir Campos


Quando se evolará da argila o sopro
que me faculta o gesto leviano?
Se um deus mo prometeu, outro mais alto
o aniquilou sob um destino humano.
Mais grave que a vaidade relativa
de ser estátua e ser máquina viva,
já pesa em mim o exílio dos espaços
chumbando os membros cada vez mais lassos:
a máxima viagem fora aquela
que devolvesse à terra a carne morna,
para eu fundir meu encontro maior na
sua frieza e reintegrar-me nela.
Do livro Arquipélago

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Marianne Moore: Poesia





POESIA


Também não gosto.

........Lendo-a, no entanto, com total desprezo, a

........................[ gente acaba descobrindo

nela, afinal de contas, um lugar para o genuíno.



Tradução de José Antonio Arantes

terça-feira, 7 de setembro de 2010

O pequeno vagabundo: um poema de William Blake

Oh mãe querida, mãe querida, a Igreja é fria
Mas doce e quente e boa é a Cervejaria;
Onde há bom trato ao certo sei dizer esperto,
E esse trato no Céu jamais irá dar certo.


Mas se dessem cerveja a nós lá na Igreja,
E uma doce fogueira, às almas benfazejas,
Cantar e orar se iria quanto é longo o dia
E da Igreja ninguém jamais se afastaria.

O Padre então rezar, beber, cantar pudera,
Quais pássaros seríamos na primavera;
E teria a Ilusão, na Igreja em prontidão,
Prole mais forte, sem jejum e sem bastão.

E, como um pai radiante ao ver os filhos seus
Contentes e felizes tal como Ele, Deus,
Concedendo quartel ao Diabo, ou ao tonel,
Dar-lhe-ia um beijo, e mais bebida, e mais burel.

tradução: Paulo Vizioli

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Monstros: um poema de Dámaso Alonso


Todos os dias rezo esta oração
quando me levanto:

Oh Deus,
Não me atormente mais.

Diga-me o que significam
estes espantos que me rodeiam.
Cercado estou de monstros
que mudamente me perguntam
igual, igual a mim quando os interrogo.
Talvez a você perguntem,
o mesmo que eu quando em vão perturbo
o silêncio da sua imperturbável noite
com minha desgarrada interrogação.
Sob a penumbra das estrelas
sob a terrível obscuridade da luz solar,
espreitam-me olhos inimigos,
formas grotescas me vigiam
cores hostis me estendem
os laços:
são monstros,
estou cercado de monstros!

Não me devorem.
Devorem meu repouso ofegante
me façam ser uma angústia que se desenrola a si mesma
me façam homem,
monstro entre monstros.

Não, ninguém tão horrível
como este Dámaso frenético
como esta centopeia amarela que o clama com todos os [
tentáculos enlouquecidos,
como esta besta imediata
difundida em angústia fluente;
não, ninguém tão monstruoso
como este animal estúpido que ruge por você
como esta dilacerada incógnita
que agora o repreende com articulados gemidos,
que agora o diz:
“Oh Deus,
não me atormente mais,
diga-me o que significam
estes monstros que me rodeiam
E este espanto íntimo que à noite geme para você.
tradução: Jefferson Bessa

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

FUI: um poema de Konstantinos Kaváfis


Não me deixei prender. Libertei-me de todo e fui
em busca de volúpias que em parte eram reais,
em parte haviam sido forjadas por meu cérebro;
fui em busca da noite iluminada.
E bebi então vinhos fortes, como
bebem os destemidos no prazer.
tradução: José Paulo Paes

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Vibrações Do Sol: um poema de Gilka Machado




Dias em que framindo os meus versos estão,
em que estranho meu ser passivo e cismarento;
dias em que meu corpo é uma palpitação
de asas, da natureza ante o deslumbramento!

Numa dia, assim, como este, os meus tédios se vão,
e ao céu de escampo azul e ao Sol de ardor violento
eu só quero sentir a forte vibração
da vida, num prazer ou mesmo num tormento.

Saem dos lábios meus as expressões em trovas;
quero viver, gozar emoções muito novas,
amo quanto me cerca, amo o bem, amo o mal.

E, numa agitação de anseios incontidos,
nestes dias de Sol, os meus cinco sentidos
são aves ensaiando o voo para o Ideal.

Do livro Estado de Alma.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Canção da Laranjeira Seca: poema de Federico Garcia Lorca


LENHADOR,
Corta a minha sombra.
Livra-me do suplício
de ver-me sem toranjas.

....Por que nasci entre espelhos?
O dia dá voltas em meu redor.
E a noite me copia
em todas as suas estrelas.

....Quero viver sem ver-me.
E formigas e vilões,
sonharei que são minhas
folhas e meus pássaros.

....Lenhador.
Corta a minha sombra.
Livra-me do suplício
de ver-me sem toranjas.

Do livro Canções.
Tradução: William Agel de Melo

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Um dia de primavera: um poema do chinês LI PO

Li Po entoando um poema
(Liang K'ai, meados do século XIII, tinta sobre papel)

Nossa vida no mundo é apenas um grande sonho.
Então, para que nos atormentarmos?
Prefiro beber o dia inteiro,
e ficar deitado à sombra.

Ao acordar, olho em redor:
um pássaro gorjeia entre as flores.
Rogo-lhe que me informe
sobre a estação do ano, e ele responde
que estamos na época em que a primavera
faz cantarem os pássaros.

Como principiava a enternecer-me,
recomecei a beber,
cantei até a lua chegar
e de novo tornei a perder a noção das coisas.


tradução de Cecília Meireles

domingo, 25 de julho de 2010

"de amor ardem os bosques": poema de Maria Azenha

não escrevas a palavra pedra se não tens à mão
uma pedra
não digas a palavra água se nunca quiseste morrer
não penses a palavra flama se o teu coração não arder

guarda vagarosamente cada som
silenciosamente trabalha o desenho de cada letra
a um poeta é reservado


o alfabeto
uma árvore
o fogo

Este poema está no livro "de amor ardem os bosques" de Maria Azenha no capítulo (ou "a segunda folha", conforme o índice do livro informa ) "a ciência dos bosques". Agradeço o envio do livro. Foi um belo passeio pelo Bosque de variados bosques presentes nos poemas. Por entre o coração e a ciência destes bosques, por entre as sombras e as clareiras, os poemas experimentam caminhos que se abriram ao homem na sua trajetória pelo Bosque que é o Mundo. Assim, o livro harmoniza o que comumente se dissocia: ciência e coração, sombra e luzes. Na tradição do símbolo do bosque, Maria Azenha compõe uma caminhada em que todos estes bosques se conciliam. (Jefferson Bessa)

quarta-feira, 21 de julho de 2010

vinolência: um poema de Luiz Filho de Oliveira


tomo-te em meus braços
a boca vinosa: sangue
bem tinto a vidar-me

já tu me-tomaste
de branca surpresa - tanto! -
que te-encontras tonta





Poema retirado do blog Deleitura de Luiz Filho de Oliveira. Recentemente lançou o livro de poesias Onde Humano.

Para quem quiser visitar o espaço: CLIQUE AQUI.

sábado, 10 de julho de 2010

FIGURA MÉTRICA: poema de William Carlos Williams



Há um pássaro entre os choupos -
É o sol!
As folhas são pequenos peixes amarelos
Nadando no rio;
O pássaro voa roçando sobre eles
Com o dia nas asas.
Fênix!
É ele que está produzindo
O intenso coruscar entre os choupos
E é o seu canto
Que ofusca o rumor

Das folhas no vento.

tradução: Joaquim Cardozo

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Morre o poeta ROBERTO PIVA: Homenagem e dois poemas

O poeta Roberto Piva morreu no último sábado (dia 03) em São Paulo, aos 72 anos. Os poemas abaixo Transformando o horizonte e Antinous estão no livro Mala na mão & asas pretas de Roberto Piva.

Transformando o horizonte

o espaço
....em
........teu braço
abre o passo
........corta o traço
no canto da boca
....olho & escuto
.......teu soluço
...........encantado
molhando
....os cabelos
.......te espero na garoa
............da cidade.
_____________________
Antinous
(movimento de árvores)

são questões
...................terça-feira eu prefiro você bem
.................................................................louco
...................minha palavra & nada que você acredita
...................poderá acontecer: ostras olhos injetados Hegel
...........durma com suas violetas de subúrbio
.......................................a cidade tosse como
.......................................um índio com febre
São Paulo acorda em suas coxas
...........................docemente
.......banho quente com vapor
............em espiral flocos de
............samambaias eróticas
assim que você espreguiçar eu estarei
........................................sangrando

sexta-feira, 2 de julho de 2010

MENINO: um poema de Joan Teixidor


Todos os jardins se fizeram para ti
e as flores, as pedras.
Não tentes saber mais, contempla
a luz pendurada na árvore.

Quando grande, não te lembrarás
desta paz divina.
Mas uma obscura saudade haverá no desejo
do que agora te sobra.

*tradução João Cabral de Melo Neto

segunda-feira, 28 de junho de 2010

JOAQUIM CARDOZO: o poema Elegia dos pássaros voando


São muitos os que voam, os que voam
Tomando várias direções;
Pássaros noturnos, pássaros aquáticos.
Voam gaivotas, voam jacutingas,
Voam pernaltas, voam socó-bois. . .
Às vezes avançam em bandos cerrados
Fugindo da noite.


Voam garças em linhas cruzadas
Como se saíssem juntas de um ninho
Como se fossem pousar na esfera entrecortada
E fazer surgir um voo maior.



Voam garças ao alto
De agudo bico, como os das gaivotas.
Voam planando, as asas ao vento pairando.
Na retaguarda vem um voo mais alto
Seguindo os pássaros que passam.



As asas desse voo vão fugindo
Muito longe e muito altas.
No seu voo sereno
Há um canto de elegia:
A elegia dos pássaros voando.

Do livro O interior da matéria