Para pentear o vento o escultor devolve à natureza a simplicidade da leveza; assim é que das rochas nascem pentes de ferro que apontam horizontal e verticalmente em dimensões aéreas. Nem pentes de argila, nem pentes de mármore. Mas a dureza do ferro que faz a mão de Chillida desejar o elemento rígido – o ferro. Contudo, a rigidez de sua obra movimenta o elemento quando transmuta o pente na suavidade de sua obra. É que entre o rígido e a leveza, o artista transforma os elementos para mostrar o duro trabalho, respondendo à natureza que o empenho mais rígido do artista tem a simplicidade de expor ao mundo a gratuidade de querer roçar ao vento. É dessa maneira que a sua obra evoca a harmonia com as coisas. A matéria do pente se transforma para marcar que o vento pode ser a matéria que ali se junta ao ferro. Quem não poderia ver os pentes em constante movimento? Podemos ver claramente os pentes e os dentes de Chillida que se agitam e dançam suavemente pelo chão férreo e aéreo dos movimentos fortes, precisos e curvilíneos de sua obra.
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
domingo, 8 de fevereiro de 2009
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
Um soneto de Rainer Maria Rilke
Respirar-te inteiro - poema aceso!
Pedaço do mundo, sempre em seguro
equilíbrio mesmo. Contrapeso,
no qual, com ritmo, perduro.
Onda única em cujo mar,
moroso e sereno, fui transformado;
tu, o mais raso dos mares, meu lugar:
espaço por fim conquistado.
Quantos pontos deste espaço estiveram assim
dentro de mim? Algumas brisas
e ventos são como filhos para mim.
Conheces-me, ar, ainda pleno de melodia?
Tu, pura casca outrora lisa,
curvatura e folha de minha poesia.
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
O sono é bom pois despertamos dele - Ricardo Reis
O sono é bom pois despertamos dele
Para saber que é bom. Se a morte é sono
Despertaremos dela;
Se não, e não é sono,
Conquanto em nós é nosso a refusemos
Enquanto em nossos corpos condenados
Dura, do carcereiro,
A licença indecisa.
Lídia, a vida mais vil antes que a morte,
Que desconheço, quero; e as flores colho
Que te entrego, votivas
De um pequeno destino.
Marcadores:
Fernando Pessoa,
poesia,
Ricardo Reis
Assinar:
Postagens (Atom)


