Victor Vasarely - So-Lo
quarta-feira, 29 de abril de 2009
domingo, 26 de abril de 2009
A epifania do SERMÃO DA EPIFANIA de Padre Antônio Vieira

Diz Antonio Vieira:
“Pois esta é terra nova e esses são os céus novos que Deus tinha prometido, que havia de criar, não porque não estivessem já criados desde o princípio do mundo, mas porque era este Novo Mundo, tão oculto e ignorado dentro do mesmo mundo, que quando de repente se descobriu e apareceu, foi como se então começara a ser e Deus o criara de novo”. Sermão da Epifania.
“Pois esta é terra nova e esses são os céus novos que Deus tinha prometido, que havia de criar, não porque não estivessem já criados desde o princípio do mundo, mas porque era este Novo Mundo, tão oculto e ignorado dentro do mesmo mundo, que quando de repente se descobriu e apareceu, foi como se então começara a ser e Deus o criara de novo”. Sermão da Epifania.
......
Como se compreende a epifania, Antonio? A epifania é sua, orador; é a Epifania que se revela a partir do que constrói ao lado de todas as criações de Deus. Não mais criador versus criatura, mas criador ao lado de um criador. Se Deus disse que novas terras e céus seriam criados, você criou epifanicamente a partir do que Deus deixou por criar. E Deus, por criar, deixou a sua leitura. Essas terras e esses céus vivem em você, no seu rosto hermeneuta, que traz ao Evangelho o seu alto voo que se segue ao lado do voo de Deus: os voos da criação. Redescobrir o que sempre fora descoberto e recriar o que já fora criado: esta é a empreitada para qual se voltaram seus olhos. Enfim, você não deixou o Evangelho falar pelo pregador, mas fez a dilatação recriadora das palavras do Evangelho! (Jefferson Bessa)
sábado, 25 de abril de 2009
quarta-feira, 22 de abril de 2009
A BALADA DO CONDE PROSCRITO QUE REGRESSA- GOETHE
Não há apenas um tipo de balada. Há as baladas de forma fixa e as de aspecto narrativo. As de forma fixa se distinguem por serem compostas especialmente para a dança e o canto, tendo ritmo característico e refrão vocal. Caracterizam-se da seguinte maneira as formas francesas da balada: 3 oitavas e uma quadra (às vezes uma quintilha no lugar da quadra); versos octossílabos; 3 rimas cruzadas, ou ainda, variáveis e a repetição de um mesmo conceito ou idéia ao fim de cada estrofe (paralelismo).
As baladas, sob o aspecto narrativo, são antigos poemas medievais, cujo assunto se prende à vida cavaleiresca. São narrações versificadas de lendas populares, de pequena extensão e anônimas. Modernamente, passaram a designar poemas narrativos em verso de acontecimentos fantasiosos ou lendários. Atualmente, os modernos lançam mão dessa forma com grande liberdade formal.
Abaixo A Balada do Conde proscrito que regressa do poeta alemão Wolfgang von Goethe:
“ – Vem cá, bom velho, nesta sala entraremos!
Com meu irmão aqui nos fecharemos,
E ninguém mais nos ficará ouvindo,
A mãe está a rezar, e o pai sabemos
Que anda no mato os lobos perseguindo.
Diz-nos um conto e di-lo muitas vezes,
P’ra que depois possamos repeti-lo.
Aguardamos um bardo há muitos meses,
Há muito já que ansiamos por ouvi-lo”
- “P’la noite horrível, pelo horror da guerra,
Assim que as joias e o dinheiro enterra,
O Conde abala de seus altos paços,
P’la porta falsa, que a fugir descerra.
Mas o que é que ele oculta nos seus braços;
O que esconde no manto, de fugidia?
Leva uma donzela adormecida...”
Para as crianças é um gosto ouvi-lo.
“ – Como a terra é grande! Eis que alvorece:
Em toda a parte, abrigo se lhe oferece,
E nas aldeias dão-lhe de beber...
Caminhando e pedindo, em anos cresce,
Suas barbas não cessam de crescer;
E nos seus braços a menina bela,
No manto envolta, agasalhando asilo,
Cresce também, sob propícia estrela.”
Para as crianças é um gosto ouvi-lo.
“ – O tempo foi correndo alvoroçado...
Já desbotava o manto esfarrapado,
Que envolver a donzela não podia.
O pai contempla-a; pai afortunado,
Que em si não cabe, doido de alegria!
Que formosura tem! Aquele ar tão nobre,
Da sua geração quebra sigilo:
Com ela torna rico o pai tão pobre!”
Para as crianças é um gosto ouvi-lo.
- “Passa a cavalo um príncipe brilhante:
Ela estende a mãozinha suplicante
Que ele, sem dar a esmola requerida,
Logo aperta, clamando em voz de amante:
Esta mão será minha vida toda!
E o pai diz: Desta joia o rosto amado,
Principesco diadema há de cobri-lo,
Aqui t’a entrego neste verde prado.”
Para as crianças é um gosto ouvi-lo.
Na igreja logo um padre os abençoa,
Parte a noiva feliz; só a mágoa
De abandonar seu pai, a triste ideia;
E o velho põe-se a vaguear à-toa.
Com ais pagando a f’licidade alheia.
Ah! Que desejo imenso eu não sentia
De ver a filha e os netos, e, ao senti-lo,
Abençoava-os de longe, noite e dia!
Para as crianças é um gosto ouvi-lo.
E o velho bardo abençoou os netos.
Batem à porta. É o pai! Eles, inquietos,
Tentam ‘sconder o velho, desvairados.
- “ Cala, doido, esses contos indiscretos!
Prendei-os os arqueiros meus, de ferro armados!
Na enxovia metei esse atrevido!
A mãe que estava longe, ouvindo aquilo,
Corre a seu esposo faz terno pedido,
Para as crianças é um gosto ouvi-lo.
O velho, com seus olhos sobranceiros,
Fica de pé. Retiram-se os arqueiros.
Ruge e aumenta do príncipe o furor:
- “D’amor malditos sonhos traiçoeiros,
Vede que frutos deu a baixa flor!
Sangue nobre diziam os antigos,
Quem o não tem não pode consegui-lo:
A mendiga gerou filhos mendigos!”
Para as crianças é um desgosto ouvi-lo.
- “Se o pai, se o esposo, agora destes paços
Vos expulsa, partindo santos laços,
A vosso avô e pai, vinde meus filhos!
Velho e pobre, arrastando os membros lassos,
Levar-vos posso a sendas d’áureos brilhos!
O meu castelo vieste tu roubá-lo,
E o pão, se o quis, bem longe fui pedi-lo!”
Para as crianças é um gosto ouvi-lo.
- “ O justo velho, e aos seus afeiçoados
breve há de restituir os bens roubados!
Meus tesouros, brilhai à luz do dia
(Tal diz o velho, d’olhos abrandados)!
A minha voz o amor vos anuncia!
Calma-te filho! Vê além, acesa,
Beningna estrela sobre o azul tranquilo:
Filhos príncipes tens, duma princesa!”
Para as crianças é um gosto ouvi-lo.”
(Balada do Conde proscrito que regressa, de Goethe. – Tradução de Eugênio de Castro.)
As baladas, sob o aspecto narrativo, são antigos poemas medievais, cujo assunto se prende à vida cavaleiresca. São narrações versificadas de lendas populares, de pequena extensão e anônimas. Modernamente, passaram a designar poemas narrativos em verso de acontecimentos fantasiosos ou lendários. Atualmente, os modernos lançam mão dessa forma com grande liberdade formal.
Abaixo A Balada do Conde proscrito que regressa do poeta alemão Wolfgang von Goethe:
“ – Vem cá, bom velho, nesta sala entraremos!
Com meu irmão aqui nos fecharemos,
E ninguém mais nos ficará ouvindo,
A mãe está a rezar, e o pai sabemos
Que anda no mato os lobos perseguindo.
Diz-nos um conto e di-lo muitas vezes,
P’ra que depois possamos repeti-lo.
Aguardamos um bardo há muitos meses,
Há muito já que ansiamos por ouvi-lo”
- “P’la noite horrível, pelo horror da guerra,
Assim que as joias e o dinheiro enterra,
O Conde abala de seus altos paços,
P’la porta falsa, que a fugir descerra.
Mas o que é que ele oculta nos seus braços;
O que esconde no manto, de fugidia?
Leva uma donzela adormecida...”
Para as crianças é um gosto ouvi-lo.
“ – Como a terra é grande! Eis que alvorece:
Em toda a parte, abrigo se lhe oferece,
E nas aldeias dão-lhe de beber...
Caminhando e pedindo, em anos cresce,
Suas barbas não cessam de crescer;
E nos seus braços a menina bela,
No manto envolta, agasalhando asilo,
Cresce também, sob propícia estrela.”
Para as crianças é um gosto ouvi-lo.
“ – O tempo foi correndo alvoroçado...
Já desbotava o manto esfarrapado,
Que envolver a donzela não podia.
O pai contempla-a; pai afortunado,
Que em si não cabe, doido de alegria!
Que formosura tem! Aquele ar tão nobre,
Da sua geração quebra sigilo:
Com ela torna rico o pai tão pobre!”
Para as crianças é um gosto ouvi-lo.
- “Passa a cavalo um príncipe brilhante:
Ela estende a mãozinha suplicante
Que ele, sem dar a esmola requerida,
Logo aperta, clamando em voz de amante:
Esta mão será minha vida toda!
E o pai diz: Desta joia o rosto amado,
Principesco diadema há de cobri-lo,
Aqui t’a entrego neste verde prado.”
Para as crianças é um gosto ouvi-lo.
Na igreja logo um padre os abençoa,
Parte a noiva feliz; só a mágoa
De abandonar seu pai, a triste ideia;
E o velho põe-se a vaguear à-toa.
Com ais pagando a f’licidade alheia.
Ah! Que desejo imenso eu não sentia
De ver a filha e os netos, e, ao senti-lo,
Abençoava-os de longe, noite e dia!
Para as crianças é um gosto ouvi-lo.
E o velho bardo abençoou os netos.
Batem à porta. É o pai! Eles, inquietos,
Tentam ‘sconder o velho, desvairados.
- “ Cala, doido, esses contos indiscretos!
Prendei-os os arqueiros meus, de ferro armados!
Na enxovia metei esse atrevido!
A mãe que estava longe, ouvindo aquilo,
Corre a seu esposo faz terno pedido,
Para as crianças é um gosto ouvi-lo.
O velho, com seus olhos sobranceiros,
Fica de pé. Retiram-se os arqueiros.
Ruge e aumenta do príncipe o furor:
- “D’amor malditos sonhos traiçoeiros,
Vede que frutos deu a baixa flor!
Sangue nobre diziam os antigos,
Quem o não tem não pode consegui-lo:
A mendiga gerou filhos mendigos!”
Para as crianças é um desgosto ouvi-lo.
- “Se o pai, se o esposo, agora destes paços
Vos expulsa, partindo santos laços,
A vosso avô e pai, vinde meus filhos!
Velho e pobre, arrastando os membros lassos,
Levar-vos posso a sendas d’áureos brilhos!
O meu castelo vieste tu roubá-lo,
E o pão, se o quis, bem longe fui pedi-lo!”
Para as crianças é um gosto ouvi-lo.
- “ O justo velho, e aos seus afeiçoados
breve há de restituir os bens roubados!
Meus tesouros, brilhai à luz do dia
(Tal diz o velho, d’olhos abrandados)!
A minha voz o amor vos anuncia!
Calma-te filho! Vê além, acesa,
Beningna estrela sobre o azul tranquilo:
Filhos príncipes tens, duma princesa!”
Para as crianças é um gosto ouvi-lo.”
(Balada do Conde proscrito que regressa, de Goethe. – Tradução de Eugênio de Castro.)
domingo, 19 de abril de 2009
Instabilidade - Simônides de Ceos (c. 556 - c. 468 a.C.)
....
..............Homem mortal,
........não queiras predizer
........o que o Amanhã trará,
........nem, vendo alguém feliz,
o tempo em que há de assim continuar.
........É rápida a mudança:
tão rápido não é o voo
....da libélula de asas céleres.
*Nota: Estobeu ilustra a variabilidade da sorte humana com este excerto dos Trenos do Poeta.
Treno: é um canto lamentoso, elegia.
(trad. Péricles Eugênio da Silva Ramos)
sexta-feira, 17 de abril de 2009
GESTOS - Pedro de Bois
Aos horrores concedo o entrevisto
choro da criança desacostumada
ao novo.
(Pedro Du Bois, inédito)
choro da criança desacostumada
ao novo.
(Pedro Du Bois, inédito)
quarta-feira, 15 de abril de 2009
Dois artistas: O poeta Vladimir Maiakovski em duas fotografias de Alexander Rodchenko
The poet Vladimir Mayakovsky
1924

Alexander Rodchenko
The poet Vladimir Mayakovsky
1924
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