1913
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
sábado, 29 de agosto de 2009
A velha casa e seus poemas: Rogel Samuel e Jefferson Bessa

O poeta Rogel Samuel escreveu:
A meu poema "casa abandonada", o poeta Jefferson Bessa escreveu uma resposta:
casa abandonada (Rogel Samuel)
as janelas estavam assassinadas
assistiam a tudo
ao mar, às aves, à montanha
nunca mais fechadas
fecundas de vento
arrebatadas de sol
batidas pelo firmamento
e as janelas nunca mais se fecharam
porque não havia ninguém mais lá dentro
porque os poros da casa se abriram
às verdejantes trepadeiras
que cobriam todo passado
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Esta casa (Jefferson Bessa)
Esta casa é
O abrigo do poema.
E respiram as paredes
A verde-planta do tempo.
Crescem por sobre a casa
O olhar presente do passado
De entre-ver nossas janelas
Que não se trancam mais.
Por lá não ter ninguém
É que elas me olham.
Por nenhuma noite mais
Fecharei minhas cortinas.
Este poema é
O abrigo desta casa.
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Minha resposta (Rogel Samuel)
Por lá não há mais ninguém
nesta casa abandonada
nem os fantasmas esguios
nem as fadas enamoradas
nem mendigos nem ninguém
mesmo o tempo por lá não encosta
mesmo as recordações se desfazem
as memórias as cansadas
naves da madrugada
cinzas do que passou
solidão das marés
esquecimento e silêncio
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sexta-feira, 28 de agosto de 2009
Corpo: um poema de Dante Milano
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
Vento de Maio de Lô Borges na voz de Elis Regina
Vento de maio
Rainha de raio
Estrela cadente
Chegou de repente
O fim da viagem
Agora já não dá mais pra voltar atrás
Rainha de maio valeu o teu pique
Apenas para chover no meu piquenique
Assim meu sapato coberto de barro
Apenas pra não parar nem voltar atrás
Chegou de repente o fim da viagem
Agora já não dá mais...
Nisso eu escuto no rádio do carro a nossa canção
Sol girassol e meus olhos abertos pra outra emoção
E quase que eu me esqueci que o tempo não pára
Nem vai esperar
Vento de maio rainha dos raios de sol
Vá no teu pique estrela cadente até nunca mais
Não te maltrates nem tentes voltar o que não tem mais vez
Nem lembro teu nome nem sei
Estrela qualquer lá no fundo do mar.
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
Ao ser-lhe solicitado um poema de guerra - um poema de W.B. Yeats
Como poeta acho melhor não dizer nada
Num tempo assim, porque não temos a virtude
De corrigir os atos governamentais;
Já se intromete em muita coisa quem agrada
A uma garota na indolente juventude
Ou ao velhinho em suas noites hibernais.
Num tempo assim, porque não temos a virtude
De corrigir os atos governamentais;
Já se intromete em muita coisa quem agrada
A uma garota na indolente juventude
Ou ao velhinho em suas noites hibernais.
tradução Paulo Vizioli
terça-feira, 18 de agosto de 2009
Um poema de Camilo Pessanha
Um poema de Camilo PessanhaImagens que passais pela retina
Dos meus olhos, porque não vos fixais?
Que passais como a água cristalina
Por uma fonte para nunca mais!...
Ou para o lago escuro onde termina
Vosso curso, silente de juncais,
E o vago medo angustioso domina,
- Porque ides sem mim, não me levais?
Sem vós o que são os meus olhos abertos?
-O espelho inútil, meus olhos pagãos!
Aridez de sucessivos desertos...
Fica sequer, sombra das minhas mãos,
Flexão casual de meus dedos incertos,-
Estranha sombra em movimentos vãos.
sábado, 15 de agosto de 2009
Poemas e Fragmentos de Safo de Lesbos

Agora estes versos vou cantar, lindamente,
Para encantar as amigas
***
a Lua já se pôs, as Plêiades também; é meia-
noite; a hora passa e eu,
deitada estou, sozinha
***
as estrelas, em torno da Lua formosa,
escondem de novo seu rosto brilhante
quando em plenitude ela volta a luzir
[prateada]
[sobre a terra inteira]
tradução: Joaquim Brasil Fontes
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