eu tenho uma linda menina; com douradas flores
ela se parece; minha Kleís, meu bem-querer –
nem pelo reino da Lídia inteiro, nem pela adorada
[Lesbos] eu a trocaria
***
não penso que haverá jamais, em tempo algum,
sob a luz do sol, moça que a ti se compare,
no brilho da poesia
***
adormecendo
no seio de uma eterna amiga
***
tu me lançaste no esquecimento
[ ]
ou existe outro homem
que a mim tu preferes?
tradução: Joaquim Brasil Fontes
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
Poesia Pura: um poema de José Carlos Capinam

Se esta é a busca da noite enquanto noite,
A busca intensa que nada perturba,
Nego a sensibilidade, pois ela acrescenta.
Nego a compreensão, pois ela já tem noções
E pode perturbar a flor pelo conhecer do homem.
Hoje não relaciono, não comprometo.
Quero a coisa em seu íntimo mais grave
Quero a coisa, essencialmente a coisa,
A coisa metafísica, para provar a impossibilidade.
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
sábado, 29 de agosto de 2009
A velha casa e seus poemas: Rogel Samuel e Jefferson Bessa

O poeta Rogel Samuel escreveu:
A meu poema "casa abandonada", o poeta Jefferson Bessa escreveu uma resposta:
casa abandonada (Rogel Samuel)
as janelas estavam assassinadas
assistiam a tudo
ao mar, às aves, à montanha
nunca mais fechadas
fecundas de vento
arrebatadas de sol
batidas pelo firmamento
e as janelas nunca mais se fecharam
porque não havia ninguém mais lá dentro
porque os poros da casa se abriram
às verdejantes trepadeiras
que cobriam todo passado
----------------------
Esta casa (Jefferson Bessa)
Esta casa é
O abrigo do poema.
E respiram as paredes
A verde-planta do tempo.
Crescem por sobre a casa
O olhar presente do passado
De entre-ver nossas janelas
Que não se trancam mais.
Por lá não ter ninguém
É que elas me olham.
Por nenhuma noite mais
Fecharei minhas cortinas.
Este poema é
O abrigo desta casa.
-----------------
Minha resposta (Rogel Samuel)
Por lá não há mais ninguém
nesta casa abandonada
nem os fantasmas esguios
nem as fadas enamoradas
nem mendigos nem ninguém
mesmo o tempo por lá não encosta
mesmo as recordações se desfazem
as memórias as cansadas
naves da madrugada
cinzas do que passou
solidão das marés
esquecimento e silêncio
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sexta-feira, 28 de agosto de 2009
Corpo: um poema de Dante Milano
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
Vento de Maio de Lô Borges na voz de Elis Regina
Vento de maio
Rainha de raio
Estrela cadente
Chegou de repente
O fim da viagem
Agora já não dá mais pra voltar atrás
Rainha de maio valeu o teu pique
Apenas para chover no meu piquenique
Assim meu sapato coberto de barro
Apenas pra não parar nem voltar atrás
Chegou de repente o fim da viagem
Agora já não dá mais...
Nisso eu escuto no rádio do carro a nossa canção
Sol girassol e meus olhos abertos pra outra emoção
E quase que eu me esqueci que o tempo não pára
Nem vai esperar
Vento de maio rainha dos raios de sol
Vá no teu pique estrela cadente até nunca mais
Não te maltrates nem tentes voltar o que não tem mais vez
Nem lembro teu nome nem sei
Estrela qualquer lá no fundo do mar.
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
Ao ser-lhe solicitado um poema de guerra - um poema de W.B. Yeats
Como poeta acho melhor não dizer nada
Num tempo assim, porque não temos a virtude
De corrigir os atos governamentais;
Já se intromete em muita coisa quem agrada
A uma garota na indolente juventude
Ou ao velhinho em suas noites hibernais.
Num tempo assim, porque não temos a virtude
De corrigir os atos governamentais;
Já se intromete em muita coisa quem agrada
A uma garota na indolente juventude
Ou ao velhinho em suas noites hibernais.
tradução Paulo Vizioli
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