Bateram à minha porta,
Fui abrir, não vi ninguém.
Seria a alma da morta?
Não vi ninguém, mas alguém
Entrou no quarto deserto
E o quarto logo mudou.
Deitei-me na cama, e perto
Da cama alguém se sentou.
Seria sombra da morta?
Que morta? A inocência? A infância?
O que concebido, abortou,
Ou o que foi e hoje é só distância?
Pois bendita a que voltou!
Três vezes bendita a morta
Quem quer que ela seja, a morta
Que bateu à minha porta.
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
Joni Mitchell - Help Me
Help me
I think I'm falling
In love again
When I get that crazy feeling
I know I'm in trouble again
I'm in trouble
'cause you're a rambler and a gambler
and a sweet-talking ladies man
And you love your loving
But not like you love your freedom
Help me
I think I'm falling
In love too fast
It's got me hoping for the future
and worrying about the past
'cause I've seen some hot hot blazes
come down to smoke and ash
We love our loving
But not like we love our freedom
Didn't it feel good
we were sitting there talking
or there not talking
Didn't it feel good
You dance with the lady with the hole in her stocking
Didn't it feel good
Didn't it feel good
Didn't it feel good
Didn't it feel good
Help me
I think I'm falling
In love with you
Are you going to let me go there by myself
That's such a lonely thing to do
Both of us flirting around
Flirting and flirting
Hurting too
We love our loving
But not like we love our freedom
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
Louvação do Barro: um poema de Mariano Manent
Cantarei o barro, porque nele esteve a vida
e este sangue que ferve em nosso corpo.
Meus olhos de barro pressentem o repouso
e o clarão imortal de uma outra vida.
Cantarei o barro porque foi amassada
a nossa carne do barro inconsistente
e na argila curtida e inanimada
o sopro de Deus entrou como a semente.
tradução: João Cabral de Melo Neto
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terça-feira, 27 de outubro de 2009
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
terça-feira, 20 de outubro de 2009
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
A vingança da porta: um poema de Alberto de Oliveira
Era um hábito antigo que ele tinha:
entrar dando com a porta nos batentes
— "Que te fez esta porta?" a mulher vinha
e interrogava... Ele, cerrando os dentes:
— "Nada! Traze o jantar." — Mas à noitinha
calmava-se; feliz, os inocentes
olhos revê da filha e a cabecinha
lhe afaga, a rir, com as rudes mãos trementes.
Uma vez, ao tornar à casa, quando
erguia a aldrava, o coração lhe fala
— "Entra mais devagar..." Pára, hesitando...
Nisso nos gonzos range a velha porta,
ri-se, escancara-se. E ele vê na sala
a mulher como doida e a filha morta.
entrar dando com a porta nos batentes
— "Que te fez esta porta?" a mulher vinha
e interrogava... Ele, cerrando os dentes:
— "Nada! Traze o jantar." — Mas à noitinha
calmava-se; feliz, os inocentes
olhos revê da filha e a cabecinha
lhe afaga, a rir, com as rudes mãos trementes.
Uma vez, ao tornar à casa, quando
erguia a aldrava, o coração lhe fala
— "Entra mais devagar..." Pára, hesitando...
Nisso nos gonzos range a velha porta,
ri-se, escancara-se. E ele vê na sala
a mulher como doida e a filha morta.
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