quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Fotografia: Imogen Cunningham

Untitled
1928

Aloe
c. 1926

Magnolia Blossom
1925

domingo, 8 de novembro de 2009

O livro Falo: a poesia de Paulo Augusto

Falo de Paulo Augusto é o canto FÁLICO da VOZ do poeta. Mas o FALO se torna também um “EU FALO” – e ambos são a CORAGEM do poeta de cantar a homossexualidade. Mas esta voz libertária, erótica e visceral se espalha e atravessa o país identificando as injustiças com ele (enquanto gay) e com os outros (enquanto coletividade). Dessa maneira é que o livro exibe Ele e o Nordeste (sobretudo) na arena das perseguições da tirania e da violência na sociedade. Entretanto, o livro tem a força de libertar-se dessas amarras, pois se impõe como aguerrido. A força e a alegria do poeta vibram, porque tudo ainda está para ser feito, nada está acabado. Tudo é vivido intensamente, tudo é vivido como um porvir.
O corpo que é amor, delicadeza e erotismo é o mesmo corpo que grita e guerrilha. Momentos como os dos seguintes versos mostram que os ataques e perseguições acontecem porque sabe que é maravilhoso,/ ser fresco/ como um dia de Domingo/ ensolarado e pendurado/ no varal. É o poeta na simplicidade de saber que ser o que é vale a vida.
Versos soltos, livres que explodem numa energia própria de quem quer amar e para tanto está pronto para lutar. Diz: “João, pense no que diz como se morresse”. E dialoga diretamente com os Homens, com a América e com o Mundo Todo.
O livro está disponível no blog Livros Online de Rogel Samuel; para lê-lo clique aqui.
Jefferson Bessa

Dois poemas do livro FALO de Paulo Augusto:

SYSTEM-ATTICA

Porque sou fresco,
hábil, lépido,
a gerontocracia sente medo,
se arrepia como um rato.
Cospe leis, editos, atos.
Se agasalha, modorrenta, rouca,
recua na cadeira de balanço
botando graxa
na dobradiça das pernas.
A tosse, a vista cansada,
a velha despótica me espreita.

Quando exibo meu porte,
meu corte,
me chama de trans
viado me cobra pedágio - a doida
quer me ver casado,
parindo mão-de-obra
para eternizá-la.
Para destruí-la, esterilizo-me.
Minha praxis.
Por puro capricho
me amedronta, me persegue, me degrada.
Nego, renego, faço ouvido mouco.
Se me encontra pela rua
madrugada
quer violentar-me,
ver meus documentos,
me revista e se delicia
apalpando minhas partes,
pensa em coito.
Nego, renego, abomino.
E ficamos eternamente
nessa cachorrada.

Quer me tributar,
me chupar – foder-me
porque sabe que é maravilhoso,
ser fresco
como um dia de Domingo
ensolarado e pendurado
no varal.

POEMA PARA AS MÃOS DE ANTÔNIO

Essa mão que me segura
pelo pescoço,
me sacode e me revista,
essa mão eu amo.

Toda vez que vai ao coldre
leva um beijo meu.

Se atira pedras
e arrebenta vidros,
assusta gente, cidades,
eu gozo - ela é minha.

Nas sombras de minhas colchas
desliza atrevida
em partes que eu não permito.

Silencia, vibra, fala
- abarca tudo que vê,
ambiciosa e chula.

Se peço que pare,
avança - adoro!
Louca, impura, grossa,
entra aonde não deve,
cava, coça, atira e treme,
goza - banha-se
no meu torpor,
vive para acarinhar
meu rosto
e me bater
se grito
quando quer me amar.


sábado, 7 de novembro de 2009

Katsushika Hokusai: três imagens

Hokusai, Boy Viewing Mt. Fuji, 1830s (?)

THE HOLLOW OF THE DEEP SEA
WAVE OFF KANAGAWA ON THETOKAIDO

Sob poema de Sangi Takamura. "Tell the people, O boats of fisherwomen, that I row to the Eighty Isles, far in the boundless main." No. 11 of "The Hundred Poems explained by the Nurse." 1830.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Dois trechos de Krishnamurti

Revolução operada dentro do padrão, dentro da estrutura da sociedade, não é revolução nenhuma; ela será progressiva ou regressiva, mas tal como a reforma, representa apenas uma continuação, com modificações, do que já existia. A reforma, por melhor e mais necessária que seja, só pode produzir superficiais modificações, que reclamarão novas reformas.
*****
Ninguém pode instruir-vos, mas vós podeis aprender. Há vasta diferença entre aprender e ser instruído. O aprender prossegue durante toda a vida, ao passo que só é instruído durante apenas algumas horas ou anos - e, depois, fica-se o resto da vida a repetir o que se aprendeu. O que foi ensinado logo se torna cinzas frias; e a vida, uma coisa viva, se torna um campo de batalha, de vãos esforços.

Do livro Diálogo sobre a vida.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Visita Noturna: um poema de Manuel Bandeira

Bateram à minha porta,
Fui abrir, não vi ninguém.
Seria a alma da morta?

Não vi ninguém, mas alguém
Entrou no quarto deserto
E o quarto logo mudou.
Deitei-me na cama, e perto
Da cama alguém se sentou.

Seria sombra da morta?
Que morta? A inocência? A infância?
O que concebido, abortou,
Ou o que foi e hoje é só distância?

Pois bendita a que voltou!
Três vezes bendita a morta
Quem quer que ela seja, a morta
Que bateu à minha porta.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Joni Mitchell - Help Me




Help me
I think I'm falling
In love again
When I get that crazy feeling
I know I'm in trouble again
I'm in trouble
'cause you're a rambler and a gambler
and a sweet-talking ladies man
And you love your loving
But not like you love your freedom

Help me
I think I'm falling
In love too fast
It's got me hoping for the future
and worrying about the past
'cause I've seen some hot hot blazes
come down to smoke and ash
We love our loving
But not like we love our freedom

Didn't it feel good
we were sitting there talking
or there not talking
Didn't it feel good
You dance with the lady with the hole in her stocking
Didn't it feel good
Didn't it feel good
Didn't it feel good
Didn't it feel good

Help me
I think I'm falling
In love with you
Are you going to let me go there by myself
That's such a lonely thing to do
Both of us flirting around
Flirting and flirting
Hurting too
We love our loving
But not like we love our freedom