terça-feira, 29 de dezembro de 2009
minha identidade se perde em tua id: um poema de Rogel Samuel
minha identidade se perde em sua id
e me perdi ali, que dissolvido
estou no ser amado em seu destino.
que se me vejo no reflexo de seus versos
já dividido sou nos seus espelhos
nem busco estar no todo de suas partes
mas no dorso, em procurando
a casa inteira dei-me conta
que só de números me inscrevo
e recebo identidade e assim percorro
os seus ombros, os seus pelos, o lenho exposto
sobre os anelados dos cabelos
e a linda curvatura do pescoço.
sábado, 26 de dezembro de 2009
Música da Morte: um poema de Cruz e Souza
A música da Morte, a nebulosa,
Estranha, imensa música sombria,
Passa a tremer pela minh'alma e fria
Gela, fica a tremer, maravilhosa...
Onde nervosa e atroz, onda nervosa,
Letes sinistro e torvo da agonia,
Recresce a lancinante sinfonia,
Sobe, numa volúpia dolorosa...
Sobre, recresce, tumultuando e amarga,
Tremenda, absurda, imponderada e larga,
De pavores e trevas alucina...
E aluciando e em trevas delirando,
Como um Ópio letal, vertiginando,
Os meus nervos, letárgica, fascina...
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
domingo, 20 de dezembro de 2009
O idealismo mágico de Novalis: um fragmento
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
Um Poema de Marina Tzvietáieva
Mão esquerda contra a direita.
Tua alma e minha alma - rentes.
Fusão, beatitude que abrasa.
Direita e esquerda - duas asas.
Roda tufão, o abismo fez-se
Da asa esquerda à asa direita.
(Tradução de Haroldo de Campos)
Tua alma e minha alma - rentes.
Fusão, beatitude que abrasa.
Direita e esquerda - duas asas.
Roda tufão, o abismo fez-se
Da asa esquerda à asa direita.
(Tradução de Haroldo de Campos)
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Canção: poema de Rosa Leveroni
Mil auroras acendeu
o ardente grito da chama.
Dez mil estrelas nos deu
o pranto sutil do orvalho.
Punha o perfume carmim
na alma desta rosa branca
e uma cerva pela fonte
buscava o espelho de prata.
Percebi uma canção
e não sei quem a cantava:
entre suspiros e ramos,
como de longe, chegava,
dizendo bem docemente:
Ai da triste enamorada!...
tradução João Cabral de Melo Neto
o ardente grito da chama.
Dez mil estrelas nos deu
o pranto sutil do orvalho.
Punha o perfume carmim
na alma desta rosa branca
e uma cerva pela fonte
buscava o espelho de prata.
Percebi uma canção
e não sei quem a cantava:
entre suspiros e ramos,
como de longe, chegava,
dizendo bem docemente:
Ai da triste enamorada!...
tradução João Cabral de Melo Neto
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sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
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