quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Rudimentos: Nydia Bonetti


conto as horas no ábaco
como pão ázimo

sou como baixo-relevo
a minha bússola não me orienta

cabalas não me interpretam
um olho ciclope me olha

o meu debrum soltou a trama
um drible no destino

o fauno toca sua flauta
lua de marfim, noites de ébano

garimpo em velhas minas
rudimentos de novas gemas

blog de Nydia: clique aqui

De amor ardem os bosques - novo livro de Maria Azenha


"de amor ardem os bosques" -
novo livro de Maria Azenha

"A harmonia foi a minha mãe na canção das árvores e foi entre as flores que aprendi a amar."
Friedrich Hölderlin

Tiragem de 250 exemplares, dos quais 50 numerados e assinados pelo autor.
Reservas pelo email:
maria.azenha@gmail.com

A sair no fim do mês de Janeiro/2010
Edição limitada!

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Abaixo o além: poema de Paulo Leminski


....de dia
céu com nuvens
....ou céu sem

....de noite
não tendo nuvens
....estrela
sempre tem

....quem me dera
um céu vazio
....azul isento
de sentimento
....e de cio.

domingo, 24 de janeiro de 2010

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Exercício nº17: um poema de Zemaria Pinto

de cinco mil sementes repartidas
em outras cinco mil repetições
transforma-se a parede num festim
de gritos e sussurros sem sentido

miríades de sonhos e de sons
de um outro inferno ainda refletidas
são fugas recorrentes de mim mesmo
na sordidez do tempo aprisionadas

da câmara sombria um som se eleva
em timbres modulados na memória
buscando a quintessência do silêncio
na velha luta vã contra as palavras

pois o poema é nada mais que isso
música para surdos – nada mais

domingo, 17 de janeiro de 2010

O sonho de um curioso: um poema de Baudelaire ao fotógrafo Félix Nadar

Conheces tu, como eu, a dor saborosa?
E que te faz dizer: "Oh! homem singular!"
— Morrer eu ia. Havia, em minha alma amorosa,
Misto de êxtase e horror, um mal particular;

Desespero e esperança, indiferença ociosa.
Quanto mais a ampulheta eu via a se esvaziar,
Mais a tortura me era atroz e deliciosa;
Meu coração fugia ao mundo familiar.

Eu era como a criança à espera do espetáculo
Odiando o pano como se odeia um obstáculo...
Mas a fria verdade enfim se revelou:

Eu morrera sem susto, e a terrível aurora
Me envolvia. - Mas como? O que então se passou?
O pano já caíra e eu não me fora embora.

Tradução Ivan Junqueira