quarta-feira, 31 de março de 2010

três fotografias de Paul Strand

Untitled
1915


White Fence
1916


Leaves II
1929



quinta-feira, 25 de março de 2010

A fruta: um poema de Antonio Miranda

A FRUTA


É a fruta madura
intumescente,
ejaculando
iridescente,
disseminando.

Fruta cortada,
ferida,
exalando provocações
irrecusáveis.

A fruta no prato,
o corpo na cama,
é o pranto que acalma,
é a natureza natimorta
que exorta
e clama.

Fruta colhida,
tolhida,
prostrada,
possuída,
aguardando a consumação.

É a fruta na mão.

segunda-feira, 22 de março de 2010

É quando estás de joelhos: poema de David Mourão-Ferreira


É quando estás de joelhos
que és toda bicho da Terra
toda fulgente de pelos
toda brotada de trevas
toda pesada nos beiços
de um barro que nunca seca
nem no cântico dos seios
nem no soluço das pernas
toda raízes nos dedos
nas unhas toda silvestre
nos olhos toda nascente
no ventre toda floresta
em tudo toda segredo
se de joelhos me entregas
sempre que estás de joelhos
todos os frutos da Terra.

sábado, 20 de março de 2010

Poema de Rogel Samuel - Profissão: poeta


Depois eu gostaria de assumir como minha profissão: [poeta.
Quem é você?
Um poeta.
Que faz?
Escrevo versos.
Você vive disso?
Sim, vivo.
Quero dizer: você paga as suas contas com seus versos?
Ninguém tem que pagar para ser.
E por aí vai a questão.
Que é ser poeta? Como se define o ser?

Retirado do blog de Rogel Samuel

sexta-feira, 19 de março de 2010

Não indagues: poema de Horácio


Não indagues, Leucónoe, ímpio é saber,
a duração da vida
que os deuses decidiram conceder-nos,
nem consultes os astros babilônios:
melhor é suportar
tudo o que acontecer.
Quer Júpiter te dê muitos invernos,
quer seja o derradeiro
este que vem fazendo o mar Tirreno
cansar-se contra as rochas,
mostra-te sábia, clarifica os vinhos,
corta a longa esperança,
que é breve nosso prazo de existência.
Enquanto conversamos,
foge o tempo invejoso.
Desfruta o dia de hoje, acreditando
o mínimo possível no amanhã.
trad. Péricles Eugênio da Silva Ramos

segunda-feira, 15 de março de 2010

Um poema-prosa de Arnaldo Antunes


Caso queira ampliar, clique sobre a figura

quinta-feira, 11 de março de 2010

A mesa ao lado: poema de Konstantinos Kaváfis


Terá, quando muito, vinte e dois anos.
E no entanto estou certo de que, há quase tantos
anos passados, esse mesmo corpo eu desfrutei.

Não é, de modo algum, uma ilusão erótica.
E somente há pouco foi que entrei no cassino;
nem tive tempo de beber demais.
O mesmo corpo eu desfrutei.
Se não me lembro onde - não quer dizer que seja [esquecimento.

Ah, agora sim, que se sentou ali, na mesa ao lado,
reconheço cada movimento seu - e, para além das roupas,
eu os revejo, nus, os membros tão amados.

tradução José Paulo Paes