
Interrogo a terra
Responde a camélia
com sua fragrância
entranhada em pedra.
Interrogo o amor.
Fala o seio nu,
minha estrela eterna
suspensa na treva.
Interrogo a chuva.
E a resposta pende,
surdo candelabro
em lábios de musgo.
Aos sapos que moram
no úmido crepúsculo
e aos céus que devoram
os nossos resíduos,
a tudo que é coisa
ou forma vivente
oculta em couraça
ou véu transparente
pergunto e respondo.
E escondo o segredo
numa vagem úmida.
Do que se pergunta,
do que se responde,
só há de restar
teu riso exultante,
minha doce e branca
rainha da tarde,
tesouro guardado
em sua bainha.




