quinta-feira, 5 de agosto de 2010

três fotografias de Ansel Adams

Birds on a Beach, Evening,
1966
Road,
Nevada Desert

Lake MacDonald,
Glacier National Park
1942


Aspens,
Northern New Mexico
1958

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Pássaro na vidraça: poema de Everardo Norões


súbita pulsação
na vidraça
luz
na lágrima parada
entre espaços
onde tudo se dissolve
(ínfima poeira
nas Galáxias)
uma
vertiginosa flor
explodida
dentro
de si
mesma
Do livro Poeiras na Réstia.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Um dia de primavera: um poema do chinês LI PO

Li Po entoando um poema
(Liang K'ai, meados do século XIII, tinta sobre papel)

Nossa vida no mundo é apenas um grande sonho.
Então, para que nos atormentarmos?
Prefiro beber o dia inteiro,
e ficar deitado à sombra.

Ao acordar, olho em redor:
um pássaro gorjeia entre as flores.
Rogo-lhe que me informe
sobre a estação do ano, e ele responde
que estamos na época em que a primavera
faz cantarem os pássaros.

Como principiava a enternecer-me,
recomecei a beber,
cantei até a lua chegar
e de novo tornei a perder a noção das coisas.


tradução de Cecília Meireles

domingo, 25 de julho de 2010

"de amor ardem os bosques": poema de Maria Azenha

não escrevas a palavra pedra se não tens à mão
uma pedra
não digas a palavra água se nunca quiseste morrer
não penses a palavra flama se o teu coração não arder

guarda vagarosamente cada som
silenciosamente trabalha o desenho de cada letra
a um poeta é reservado


o alfabeto
uma árvore
o fogo

Este poema está no livro "de amor ardem os bosques" de Maria Azenha no capítulo (ou "a segunda folha", conforme o índice do livro informa ) "a ciência dos bosques". Agradeço o envio do livro. Foi um belo passeio pelo Bosque de variados bosques presentes nos poemas. Por entre o coração e a ciência destes bosques, por entre as sombras e as clareiras, os poemas experimentam caminhos que se abriram ao homem na sua trajetória pelo Bosque que é o Mundo. Assim, o livro harmoniza o que comumente se dissocia: ciência e coração, sombra e luzes. Na tradição do símbolo do bosque, Maria Azenha compõe uma caminhada em que todos estes bosques se conciliam. (Jefferson Bessa)

quarta-feira, 21 de julho de 2010

vinolência: um poema de Luiz Filho de Oliveira


tomo-te em meus braços
a boca vinosa: sangue
bem tinto a vidar-me

já tu me-tomaste
de branca surpresa - tanto! -
que te-encontras tonta





Poema retirado do blog Deleitura de Luiz Filho de Oliveira. Recentemente lançou o livro de poesias Onde Humano.

Para quem quiser visitar o espaço: CLIQUE AQUI.

sábado, 17 de julho de 2010

sábado, 10 de julho de 2010

FIGURA MÉTRICA: poema de William Carlos Williams



Há um pássaro entre os choupos -
É o sol!
As folhas são pequenos peixes amarelos
Nadando no rio;
O pássaro voa roçando sobre eles
Com o dia nas asas.
Fênix!
É ele que está produzindo
O intenso coruscar entre os choupos
E é o seu canto
Que ofusca o rumor

Das folhas no vento.

tradução: Joaquim Cardozo