sem oralidade: em fala de pedra
me-implicito-em-teus-ângulos-explícitos
com minha língua paisagem
como nenhum poeta ou bardo
em cantos canto algum ou carme
ousou poamá-los por lira tal
faço-o em oraliginalidade
de quando a onde: agoraqui
com linguadas de linguagem
Do blog DELEITURA
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
A flor e a empregada de Dade Amorim

Minha patroa insiste
: da flor a água se muda todo dia.
O dia todo ela fala
(sua voz me cansa o ouvido)
a flor não muda e repete
que mude a água da flor
esquecida em sua jarra.
A flor tem que ter sua muda
toda semana
(ela nem ouve
as coisas que eu resmungo).
Se a flor da jarra não muda
a flor perde todo viço
eu sempre aviso
(prefiro o lado da flor
que ao menos sofre calada)
– e a flor cada vez mais triste.
Ela diz que é minha a culpa
ainda que eu mude a água
e ela se esqueça da flor.
A flor já não resiste
e morre
cabisbaixa.
Dia desses não aguento
me livro de flor e jarra
e procuro uma patroa
que entenda tanto de flores
quanto eu.
Do blog: Inscrições
domingo, 31 de outubro de 2010
Jorge Luis Borges
Suspeitei muitas vezes que o sentido é, na verdade, algo acrescentado ao verso. Tenho plena convicção de que sentimos a beleza de um verso antes mesmo de começarmos a pensar num sentido (...). O que quero dizer é que não precisamos nos comprometer com um sentido.Retirado de Pensamento e Poesia. p.89
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
Walt Whitman: "Vós, tardias e esparsas folhas de mim"
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Vós, tardias e esparsas folhas de mim em ramos do inverno que [se aproxima,
E eu uma bem aparada árvore do campo ou de uma fileira de [pomar;
Vós, lembranças diminutas e abandonadas - (não a brotação de [maio, ou o florescimento do trevo de julho - não o grão de [agosto agora);
Vós, pálidas ripas de bandeira - vós, estandardes sem valor - vós [que ficais além do tempo,
Contudo, minhas folhas queridas do coração, todo o resto [confirmando,
As mais fiéis - as mais firmes - permanecem.
tradução: Luciano Alves Meira
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
Os gatos: um poema de Charles Baudelaire

Os amantes febris e os sábios solitários
Amam de modo igual, na idade da razão,
Os doces e orgulhosos gatos da mansão,
Que como eles têm frio e cismam sedentários.
Amigos da volúpia e devotos da ciência,
Buscam eles o horror da treva e dos mistérios;
Tomara-os Érebo por seus corcéis funéreos,
Se a submissão pudera opor-lhes à insolência.
Sonhando eles assumem a nobre atitude
Da esfinge que no além se funde à infinitude,
Como ao sabor de um sonho que jamais termina;
Os rins em mágicas fagulhas se distendem,
E partículas de ouro, como areia fina,
Suas graves pupilas vagamente acendem.
Do livro As flores do mal
tradução: Ivan Junqueira
terça-feira, 12 de outubro de 2010
Mário de Sá-Carneiro: o poema FIM
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
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