Baco não quer altar nem quer admiração.
Para os homens deixou somente uma instrução:
o vinho sem a água à vontade beberem,
se da morte manter-se a distância quiserem.
Se pensam que viver se reduz a existir,
felizes vamos ser e um bom gole ingerir.
Pois não sabemos como a vida prolongar,
Deixemo-nos beber se o coração mandar.
Se alguém se dá ao trabalho, então não perca a vez:
o copo está vazio, pode enchê-lo outra vez.
Gozar, até esquecer o que nos aborrece
e as lembranças ruins que ninguém esquece.
Bebamos outra vez; é como sói dizer:
que dois copos depois, o terceiro é um dever.
E se esse coração no fundo ainda é triste,
talvez o quarto copo enfim o reconquiste.
Tradução: Fábio Aristimunho Vargas
Livro: Poesia Basca (das origens a guerra civil)
sábado, 19 de março de 2011
sexta-feira, 11 de março de 2011
Canção do Amor-Perfeito: um poema de Cecília Meireles

O tempo seca a beleza,
seca o amor, seca as palavras.
Deixa tudo solto, leve,
desunido para sempre
como as areias nas águas.
O tempo seca a saudade,
seca as lembranças e as lágrimas.
Deixa algum retrato, apenas,
vagando seco e vazio
como estas conchas das praias.
O tempo seca o desejo
e suas velhas batalhas.
Seca o frágil arabesco,
vestígio do musgo humano,
na densa turfa mortuária.
Esperarei pelo tempo
com suas conquistas áridas.
Esperarei que te seque,
não na terra, Amor-Perfeito,
num tempo depois das almas.
Do livro Retrato Natural.
domingo, 6 de março de 2011
O poema VERSO-SERPENTINA de Jefferson Bessa
Verso-serpentina de Jefferson Bessa
(enquanto festejam lá fora
eu aqui sentado escrevo
e sinto sentado.
quatro da manhã
depois de já dormir
penso na vaidade de um verso
que se quer registrar,
que se quer lido)
então um verso-serpentina
enrolado ao tempo breve
feito para jogar ao chão
em ondulação aérea
ouvindo
um verso claro
- que em seu curso
se evapora na dança de fazê-lo
como quem brinca
- sem fantasia,
sem co
(memoração)
Um amigo me lembrou de um poema que escrevi em 2009. Sugeriu que o postasse no blog por conta do momento de festa no país.
Agradeço e adiciono a esta postagem o poema do Rogel Samuel para Jefferson Bessa:
SEU VERSO SERPENTEIA
NA MINHA IMAGINAÇÃO
CARNAVALESCA
solta
livre
enroscada
essa serpentina
faz
meu carnaval
Marcadores:
Jefferson Bessa,
poema,
Rogel Samuel
quinta-feira, 3 de março de 2011
Um poema de Emily Dickinson
Saí cedo - Meu Cão levei comigo - Fui visitar o Mar -
Lá do Porão saíram as Sereias
E vieram me olhar -
Da cobertura as Naus me ofereceram
A Encordoada Mão -
Tomando-me talvez por um Ratinho
Sobre a Areia - no Chão -
Mas Ninguém me tocou - até que n'água
A Maré me atingiu
Os Pés - e logo as Coxas - e a Cintura -
E o Peito me cobriu
E eu parecia prestes a afogar-me -
Qual na Flor ao cair
Uma gota de Orvalho fica presa -
E eu resolvi sair -
E Ele - Ele me seguiu com pés de prata
Ainda a me envolver
O Tornozelo - E fez meus Sapatos
De Pérolas se encher -
Até que no Chão duro da Cidade
Um Estranho se achou -
E se curvando - a me fitar Altivo -
O Mar se retirou -
Tradução José Lira
sábado, 26 de fevereiro de 2011
Um poema de William Shakespeare

poema 91
Uns se orgulham do berço, ou do talento;
Outros da força física, ou dos bens;
Alguns da feia moda do momento;
Outros dos cães de caça, ou palafréns.
Cada gosto um prazer traz na acolhida,
Uma alegria de virtudes plenas;
Tais minúcias não são minha medida.
Supero a todos com uma só apenas.
Mais do que o berço o teu amor me é caro,
Mais rico que a fortuna, e a moda em uso,
Mais me apraz que os corcéis, ou cães de faro,
E tendo-te, do orgulho humano abuso.
.....O infortúnio seria apenas este:
.....Tirar de mim o bem que tu me deste.
Tradução Ivo Barroso
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
Ité: poema de Ezra Pound
Ide, meus versos, procurai vossos louvores entre os jovens, e os intolerantes,
Movei-vos somente entre os amantes da perfeição.
Permanecerei sempre na luz severa de Sófocles
E dela recebei vossas feridas, alegremente...
Tradução de Joaquim Cardozo
Não falarei dos poemas de Pound, mas das fotografias que dele existem. Conheço uma bela sequência que o fotógrafo Coburn fez do poeta. Esta que postei junto ao poema desconheço a autoria. Procurei saber, mas não encontrei informações. Existem ainda outras muito boas, aos poucos postarei no blog.
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
Paladas de Alexandria: epigramas
X. 58
Vim nu à terra e nu irei para debaixo dela.
Por que canseiras vãs se o fim é só nudez?
X. 72
Um palco, a vida, e uma comédia; ou aprendes a dançar, deixando a sisudez de lado, ou lhe aguentarás as dores
do livro Poemas da antologia grega ou palatina.
Tradução José Paulo Paes.
Vim nu à terra e nu irei para debaixo dela.
Por que canseiras vãs se o fim é só nudez?
X. 72
Um palco, a vida, e uma comédia; ou aprendes a dançar, deixando a sisudez de lado, ou lhe aguentarás as dores
do livro Poemas da antologia grega ou palatina.
Tradução José Paulo Paes.
Assinar:
Postagens (Atom)
