sábado, 18 de junho de 2011
domingo, 12 de junho de 2011
Branco: poema de Juan Ramón Jiménez

Branco, primeiro. De um branco
De inocência, cego, branco,
Branco de ignorância, branco,
Pronto verdeja o veneno.
Abre janelas o corpo.
O branco torna-se negro.
Guerra de noite e dias!
O vento assassina a brisa,
A brisa ao vento..
.................................Na brisaVem reconquistando o branco.
Branco verdadeiro, branco
Já de eternidade, branco.
Tradução Manuel Bandeira
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quarta-feira, 8 de junho de 2011
Poema VII: 24 de Simônides de Ceos
Videira, mãe da uva e do vinho que tudo apaziguas,
      possa a teia de tuas gavinhas tortuosas
florescer, exuberante, no chão fino e coroar
      a estela da tumba do teano Anacreonte,
para que ele, festeiro e ébrio do vinho a que é tão [dado,
      tangendo sua lira amante de rapazes
noite afora, sob a terra, tenha acima da cabeça
      os galhos com o esplêndido racimo maduro,
e que possa umedecê-lo sempre o sereno da noite
      que sua boca de ancião tão doce respirava.
Tradução de José Paulo Paes
Sobre Simônides de Ceos: clique aqui
Sobre Anacreonte: clique aqui
sexta-feira, 3 de junho de 2011
Secos & Molhados e Manuel Bandeira: Rondó do Capitão
Bão balalão,
Senhor capitão,
Tirai este peso
Do meu coração.
Não é de tristeza
Não é de aflição:
É só de esperança,
Senhor capitão!
A leve esperança,
Senhor capitão!
A leve esperança,
A aérea esperança...
Aérea, pois não!
- Peso mais pesado
Não existe não.
Ah, livrai-me dele,
Senhor capitão!
Poema de Manuel Bandeira incluído no livro Lira dos Cinquent'anos
8 de outubro de 1940
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domingo, 29 de maio de 2011
Secos & Molhados e Fernando Pessoa
Não: não digas nada!
Supor o que dirá
A tua boca velada
É ouvi-lo já.
É ouvi-lo melhor
Do que o dirias.
O que és não vem à flor
Das frases e dos dias.
És melhor do que tu.
Não digas nada: sê!
Graça do corpo nu
Que invisível se vê.
(Fernando Pessoa)
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quinta-feira, 26 de maio de 2011
Pedido: um poema de Gonçalves Dias

Ontem no baile
Não me atendias!
Não me atendias,
Quando eu falava.
De mim bem longe
Teu pensamento!
Teu pensamento,
Bem longe errava.
Eu vi teus olhos
Sobre outros olhos!
Sobre outros olhos,
Que eu odiava.
Tu lhe sorriste
Com tal sorriso!
Com tal sorriso,
Que apunhalava.
Tu lhe falaste
Com voz tão doce!
Com voz tão doce,
Que me matava.
Oh! não lhe fales,
Não lhe sorrias,
Se então só qu'rias
Exp'rimentar-me.
Oh! não lhe fales,
Não lhe sorrias,
Não lhe sorrias,
Que era matar-me.
segunda-feira, 23 de maio de 2011
Um poema de Jonathan Fontenelle

Subo as paredes do meu quarto
A neve leva os meus cabelos
Imagens a dividir os dias
Subo procurando o meu deserto
A neve, extremamente leve
As imagens... fotocópias de Marina
mãe ou esposa:
as muletas
logicamente
desproporcional
Canto moléculas
Tu sabes
Segundo Jonathan, o poema foi inspirado na fotografia acima (de Nadar), encontrada num livro de Roland Barthes.
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