quinta-feira, 6 de outubro de 2011
MINHA BARCA DESLIZA RÁPIDA: um poema de TU FU
Minha barca desliza rápida. Contemplo o rio. Há nuvens passando pelo céu.
A água é também uma noite clara. Quando uma nuvem escorrega por cima da lua, vejo-a escorregar no rio e parece-me que vago em pleno céu.
Penso em minha amada, que se reflete assim no meu coração.
tradução de Cecília Meireles
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
UM POEMA DE CLAUDIO MANOEL DA COSTA

A cada instante, Amor, a cada instante
No duvidoso mar de meu cuidado
Sinto de novo um mal, e desmaiado
Entrego aos ventos a esperança errante.
Por entre a sombra fúnebre, e distante
Rompe o vulto do alivio mal formado;
Ora mais claramente debuxado,
Ora mais frágil, ora mais constante.
Corre o desejo ao vê-lo descoberto;
Logo aos olhos mais longe se afigura,
O que se imaginava muito perto.
Faz-se parcial da dita a desventura;
Porque nem permanece o dano certo,
Nem a glória tão pouco está segura.
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
O espelho de um momento: um poema de Paul Eluard

Dissipa o dia,
Mostra aos homens as leves imagens da aparência,
Retira aos homens a possibilidade de se distraírem
É duro como a pedra,
A pedra informe,
A pedra do movimento e da vista,
E o seu brilho é tal que todas as armaduras, todas as máscaras, [se tornam falsas.
O que a mão tomou desdenha tomar a forma da mão.
O que foi compreendido já não existe.
A ave confundiu-se com o vento,
O céu com a sua verdade,
O homem com a sua realidade.
tradução: António Ramos Rosa e Luísa Neto Jorge
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
Prefiro rosas, meu amor, à pátria: um poema de Ricardo Reis
Prefiro rosas, meu amor, à pátria,
E antes magnólias amo
Que a glória e a virtude.
Logo que a vida me não canse, deixo
Que a vida por mim passe
Logo que eu fique o mesmo.
Que importa àquele a quem já nada importa
Que um perca e outro vença,
Se a aurora raia sempre,
Se cada ano com a primavera
As folhas aparecem
E com o outono cessam?
E o resto, as outras coisas que os humanos
Acrescentam à vida,
Que me aumentam na alma?
Nada, salvo o desejo de indif'rença
E a confiança mole
Na hora fugitiva.
quinta-feira, 25 de agosto de 2011
domingo, 21 de agosto de 2011
SOMA: um poema de Konstantinos Kaváfis
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