terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
UM POEMA DE EMILY DICKINSON
Pousou hoje num galho o Pássaro mais belo
Que conheci em minha vida
e enquanto Mundo houver
Anseio ver de novo outra visão tão meiga
E já por nada mais cantava
Que o íntimo Prazer
Cessava e retomava a efêmera Cantiga -
A que feliz Acaso dá-se
A Glória mais sutil!
tradução José Lira
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
sábado, 4 de fevereiro de 2012
HOLLYWOOD: UM POEMA DE BERTOLT BRETCH
Toda manhã, para ganhar meu pão
Vou ao mercado, onde se compram mentiras.
Cheio de esperança
alinho-me entre os vendedores.
Tradução Haroldo de Campos
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
APROXIMAÇÕES: DE MÁRIO QUINTANA

Todo poema é uma aproximação. A sua incompletude é o que aproxima da inquietação do leitor. Este não quer que lhe provém coisa alguma. Está farto de soluções. Eu, por mim, lhe aumentaria as interrogações. Vocês já repararam no olhar de uma criança quando interroga? A vida, a irriquieta inteligência que tem? Pois bem, você lhe dá uma resposta instantânea, definitiva, única - e você verá pelos olhos dela que baixou vários risquinhos na sua consideração.
Do livro A Vaca e o Hipogrifo
domingo, 22 de janeiro de 2012
UM TRECHO DE MAURICE BLANCHOT
sábado, 14 de janeiro de 2012
SONETO A RICARDO REIS: UM POEMA DE JORGE TUFIC

Nem pelos deuses a quem sombra calma
Deste, lembrando a suave permanência
Do que puro inda resta onde não somos.
Mas ao prazer deixado ali freqüente
Em ler-te, aberto o livro e aberta a alma,
Todo um orbe revelas na existência
De um sorriso que em mármore supomos.
Pelas horas de humano entendimento
Em que dos tempos idos a beleza
Converges para um tempo começado;
E de, sendo tão parcos, um momento
Crer-se que o bem maior, glória ou riqueza,
Nada fica além disto que há sonhado.
retirado do blog: http://jorge-tufic.blogspot.com/
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
VANDALISMO: SONETO DE AUGUSTO DOS ANJOS

Meu coração tem catedrais imensas,
Templos de priscas e longínquas datas,
Onde um nume de amor, em serenatas,
Canta a aleluia virginal das crenças.
Na ogiva fúlgida e nas colunatas
Vertem lustrais irradiações intensas
Cintilações de lâmpadas suspensas
E as ametistas e os florões e as pratas.
Como os velhos Templários medievais
Entrei um dia nessas catedrais
E nesses templos claros e risonhos ...
E erguendo os gládios e brandindo as hastas,
No desespero dos iconoclastas
Quebrei a imagem dos meus próprios sonhos!
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