segunda-feira, 23 de julho de 2012

UM SONETO DE GREGÓRIO DE MATOS



Carregado de mim ando no mundo,
E o grande peso embarga-me as passadas,
Que como ando por vias desusadas,
Faço o peso crescer, e vou-me ao fundo.

O remédio será seguir o imundo
Caminho, onde dos mais vejo as pisadas,
Que as bestas andam juntas mais ornadas,
Do que anda só o engenho mais profundo.

Não é fácil viver entre os insanos,
Erra, quem presumir, que sabe tudo,
Se o atalho não soube dos seus danos.

O prudente varão há de ser mudo,
Que é melhor neste mundo o mar de enganos
Ser louco co's demais, que ser sisudo.



Do livro- Poemas Escolhidos

quinta-feira, 19 de julho de 2012

LAMENTO: UM POEMA DE GEORG TRAKL




Sono e morte, as tenebrosas águias
Rodeiam a noite inteira essa cabeça:
A imagem dourada do Homem
Engolida pela onda fria
Da eternidade. Em medonhos recifes
Despedaça-se o corpo purpúreo.
E a voz escura lamenta
Sobre o mar.
Irmã de tempestuosa melancolia
Vê, um barco aflito afunda
Sob estrelas,
Sob o rosto calado da noite.

tradução: Claudia Cavalcanti

sábado, 14 de julho de 2012

OS JARDINS: UM POEMA DE JORGE GUILLÉN




Tempo em profundidade: está nos jardins.
Veja como repousa. E se aprofunda.
E teu é o seu interior! Que transparência
De muitas tardes, para sempre juntas!
Sim, tua infância: uma fábula de fontes.

tradução J. Bessa

sábado, 7 de julho de 2012

Karl Blossfeldt: FOTOGRAFIAS


Aconitum
Monkshood
Young shoot magnified six times


Laserpitum siler
Laserwort
Part of a fertilizing cluster magnified four times



Adiantum pedatum
Maiden-hair fern
Young curled fronds magnified eight times


Dipsacus fullonum
Common teasel
Flower head magnified six times

domingo, 1 de julho de 2012

TEATRO AMAZONAS: UM ROMANCE DE ROGEL SAMUEL


O ROMANCE CONTA AS FASES DA CONSTRUÇÃO DE UM DOS MAIORES E MAIS EXÓTICOS TEATROS DO MUNDO

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sexta-feira, 29 de junho de 2012

O amanhecer das criaturas: poema de Lêdo Ivo




O dia forma-se
de quase nada:
um seio nu
por entre pálpebras,

o sol que raia
e a luz acesa
no arranha-céu
que a aurora lava.

A mão incerta
deixa na rósea
carne dormida
o gesto equívoco.

Tudo é lilá
na luminosa
e vã partilha.

No dia imenso
nascem tesouros:
curvos, redondos.

O pão à porta,
depois o leite,
e o erguer dos corpos.

do livro: Os cem melhores poetas brasileiros do século (Org.  Pinto, J. N)

sexta-feira, 22 de junho de 2012

"NOS ÚMIDOS PLANOS DAS MÃOS": E-BOOK DE JEFFERSON BESSA


Amigos, esta postagem é para divulgar o ebook com meus poemas. Só tenho a agradecer o excelente trabalho do Castanha Mecânica. É uma satisfação participar deste projeto. Para baixar o livro ou ler online, clique aqui.