domingo, 26 de abril de 2015

UM POEMA DE HEINRICH HEINE



A ferro e fogo me marcaram,
    Ferido me deixaram
    Uns tanto por rancor
    Outros por amor.

Veneno no pão derramaram
    E no vinho deitaram
    Uns tanto por amor
    Outros por rancor,

Mas aquela que mais feriu,
    Marcou, sorriu e riu:
    Esta não tem amor,
    Nem, ao menos, rancor.

tradução de Décio Pignatari.



domingo, 8 de março de 2015

POEMA DE OMAR KHAYYÁM




XVII

Olha esta hospedaria, tão degradada!
Quantos Dias e Noites, na mesma portada,
inúmeros sultões - e a pompa - repousaram,
retomando em seguida a Incerteza da Estrada.

De Rubáiyát
tradução de Luiz Antônio Figueiredo

domingo, 7 de dezembro de 2014

A CONVALESCENTE: POEMA DE RILKE






Como a canção que vem e vai na rua,
que chega perto e logo mais decresce,
quase inaudível, alça-se e flutua
e depois outra vez desaparece,

a vida brinca na convalescente,
enquanto débil, em seu leito, mal-
azada, como quem se entrega, ausente,
ela perfaz um gesto inusual.

E é quase sedução o que ela sente
quando a mão rígida, que o fogo obscuro
da febre já incendiou, suavemente,
de longe, como que um toque florescente,
consegue acariciar-lhe o queixo duro.

tradução Augusto de Campos

sábado, 25 de outubro de 2014

Konstantinos Kaváfis





Existem mesmo a Verdade e a Mentira? Ou existem apenas o Novo e o Velho, - sendo a Mentira simplesmente a velhice da Verdade?

16/09/1902
tradução José Paulo Paes

sábado, 30 de agosto de 2014

Um poema de Omar Khayyam


LIII

Se baixas teu olhar, fitando duro o Chão,
ou ergues para o Céu em Sua Imensidão,
lembra que Tu és Tu neste exato Momento,
mas e Amanhã, depois da própria negação?

De Rubáiyát
tradução: Luiz Antônio de Figueiredo

sexta-feira, 11 de julho de 2014

AO PÉ DA PENA: POEMA DE PAULO LEMINSKI




todo sujo de tinta
o escriba volta pra casa
cabeça cheia de frases alheias
frases feitas
letras feias
linhas lindas
a pele queima
as palavras queimadas
formas formigas
todas as palavras da tribo

por elas
trocou a vida
dias luzes madrugadas
hoje
quando volta pra casa 
página em branco e em brasa
asa lá se vai
dá de cara com nada
com tudo dentro
                   sai

Do livro "La vie en close"

sexta-feira, 4 de julho de 2014

POEMA DE ROGEL SAMUEL



despertar paredes brancas
despertar paredes brancas, despertar
brancas folhas de papel dormentes
desviar o curso de um regato na encosta
da floresta que canta a sua canção de vento
entornar um pouco desse copo automático
funcionar minhas molas de rascunho pressionadas
retomar o fio da leitura interrompida
iludir o tempo de marcar esta postagem



Este poema está presente no novo blog de poemas de Rogel Samuel. Para visitá-lo, clique AQUI.