quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Cidadela de Barro (1979-1989) de Francisco Brennand


 Clique sobre as fotos para vê-las em tamanho grande.















Encontra-se na Oficina Brennand, localizada em Recife no bairro da Várzea.
Fotos de Janeiro de 2015

sábado, 15 de agosto de 2015

CANTO DA POBREZA: POEMA DE MURILO MENDES



Sentas-te à beira da noite
Para fazer este poema,
Este poema não é teu,
É da tinta e do papel.
Mas o que é teu, afinal?
Ideia de propriedade!
Nada é teu, nem de ninguém.
Teu passado não é teu,
Nem sabes o que ele é.
Na neblina do passado
Quase cego tu navegas,
Mas um braço te pegou, 
Te agarra, não larga mais.
- Este braço não é teu. -
O presente não é teu,
Presente já é passado,
Tu falaste, voz sumiu,
Ah! nem o eco ficou.
Mas o futuro? é de Deus,
E Deus não é de ninguém.
Também não és de ninguém.
Tudo vês e tudo tocas,
Tudo cheiras, tudo ouves,
Nada fica nos teus olhos,
Nada fica na tua mão,
No teu ouvido, nariz.
Levaste a noiva ao altar,
Sei que a noiva não é tua,
Sei que ela também não é
Do noivo que a possuiu,
Ela não é de ninguém;
Nem é de ti que conheces
Os encantos dessa noiva
Muito melhor que seu noivo.
Coisa alguma te pertence,
Também não és de ninguém,
Viste o mundo do telhado,
Cheiraste o mundo, viraste
O namorado do mundo,
Namorado eternamente:
É melhor ficar assim,
Casar dá muito trabalho,
Põe um número na gente,
Põe um título na gente,
Não se pode mais andar
Desenvolto como antes,
A gente tem que prender
Toda atenção num objeto,
A gente fica pensando
Que é dono dalguma coisa,
Que possui móvel de carne...
Mas eu não sou de ninguém.

Do livro "O visionário"

terça-feira, 16 de junho de 2015

O Último Poema: Manuel Bandeira


Assim eu quereria meu último poema
Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos                                                                                   intencionais
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais                                                                              límpidos
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.

domingo, 26 de abril de 2015

UM POEMA DE HEINRICH HEINE



A ferro e fogo me marcaram,
    Ferido me deixaram
    Uns tanto por rancor
    Outros por amor.

Veneno no pão derramaram
    E no vinho deitaram
    Uns tanto por amor
    Outros por rancor,

Mas aquela que mais feriu,
    Marcou, sorriu e riu:
    Esta não tem amor,
    Nem, ao menos, rancor.

tradução de Décio Pignatari.



domingo, 8 de março de 2015

POEMA DE OMAR KHAYYÁM




XVII

Olha esta hospedaria, tão degradada!
Quantos Dias e Noites, na mesma portada,
inúmeros sultões - e a pompa - repousaram,
retomando em seguida a Incerteza da Estrada.

De Rubáiyát
tradução de Luiz Antônio Figueiredo

domingo, 7 de dezembro de 2014

A CONVALESCENTE: POEMA DE RILKE






Como a canção que vem e vai na rua,
que chega perto e logo mais decresce,
quase inaudível, alça-se e flutua
e depois outra vez desaparece,

a vida brinca na convalescente,
enquanto débil, em seu leito, mal-
azada, como quem se entrega, ausente,
ela perfaz um gesto inusual.

E é quase sedução o que ela sente
quando a mão rígida, que o fogo obscuro
da febre já incendiou, suavemente,
de longe, como que um toque florescente,
consegue acariciar-lhe o queixo duro.

tradução Augusto de Campos

sábado, 25 de outubro de 2014

Konstantinos Kaváfis





Existem mesmo a Verdade e a Mentira? Ou existem apenas o Novo e o Velho, - sendo a Mentira simplesmente a velhice da Verdade?

16/09/1902
tradução José Paulo Paes