quinta-feira, 14 de maio de 2009

A tarde sobe - Joaquim Cardozo



Ao rés-da Terra o tempo é escuro
Mas a tarde sobe, se ergue no ar tranqüilo e [doce
A tarde sobe!
No alto se ilumina, se esclarece.
E paira na região iluminada.

Sobe, desfaz a trama de entrelaços
Superpostos na maneira dos esquadros
Sobre o chão aos poucos escurecendo.
Sobe: No meio da parte densa.

Sobe alva, serena para as estrelas
Que irão em breve aparecer,
Luzindo, no princípio da noite;
No espaço branco em que se completa
Preenchendo o centro e a esquerda
Branco que saiu limpo
De um fundo escuro de hachuras.

A tarde sobe!
Sobe até o zênite dando aos que passam
A paz e a serenidade do entardecer.
A tarde sobe pura e macia!
As linhas de baixo se inclinam
Se afastam e vão deixá-la subir.
...
Do livro Interior da Matéria contido nas Obras Completas. A postagem desse poema de Joaquim Cardozo comemora o lançamento de suas Obras Completas pela Nova Aguilar.

3 comentários:

Hilton disse...

Graças a Deus suas obras estão novamente editadas. Um grande poeta que deve ser lembrado sempre! Parabéns. Em breve Joaquim Cardozo deverá marcar presença no Poesia Diversa.

Jefferson Bessa disse...

Hilton, lembro da primeira vez que li este poema de Joaquim. Foi uma grande experiência. A Tarde Sobe me refez o olhar para tarde - que até então para mim era uma tarde que descia a partir da luz do dia que também ia se pondo. Mas depois deste poema vejo a tarde que sobe. É o olhar raro deste poema.
Grande abraço.
Jefferson.

Hilton Valeriano disse...

É a transfiguração do olhar poético! A poesia nos faz realmente ver! Um abraço.