quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Rio Abaixo: soneto de Olavo Bilac



Treme o rio, a rolar, de vaga em vaga...
Quase noite. Ao sabor do curso lento
Da água, que as margens em redor alaga,
Seguimos. Curva os bambuais o vento.

Vivo, há pouco, de púrpura, sangrento,
Desmaia agora o Ocaso. A noite apaga
A derradeira luz do firmamento...
Rola o rio, a tremer, de vaga em vaga.

Um silêncio tristíssimo por tudo
Se espalha. Mas a lua lentamente
Surge na fímbria do horizonte mudo:

E o seu reflexo pálido, embebido
Como um gládio de prata na corrente,
Rasga o seio do rio adormecido.

4 comentários:

ROGEL SAMUEL disse...

e desde a minha adolescência
- há décadas atrás, perdidas
e idas -
eu não paro de ler Bilac
como aquele rio de versos
revela
e ferve

Jefferson Bessa disse...

Sim, amigo, no seu blog vez ou outra leio algum poema de Bilac. E um poema-comentário como este dá o maior entusiasmo. Obrigado!

Abraços

Hilton disse...

Bilac, Raimundo Correa... os grandes parnasianos desprezados pela crítica e insensatez modernista... Muita coisa boa esquecida. Parabéns.
www.poesiadiversidade.blogspot.com

Jefferson Bessa disse...

obrigado pela visita, Hilton. bom saber que o belo pode permanecer, apesar das críticas.

abraços.