sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

VIDA TODA LINGUAGEM: um poema de Mário Faustino




Vida toda linguagem,
frase perfeita sempre, talvez verso,
geralmente sem qualquer adjetivo,
coluna sem ornamento, geralmente partida.
Vida toda linguagem,
há entretanto um verbo, um verbo sempre, e um nome
aqui, ali, assegurando a perfeição
eterna do período, talvez verso,
talvez interjetivo, verso, verso.
Vida toda linguagem,
feto sugando em língua compassiva
o sangue que criança espalhará – oh metáfora ativa!
leite jorrado em fonte adolescente,
sêmen de homens maduros, verbo, verbo.
Vida toda linguagem,
bem o conhecem velhos que repetem,
contra negras janelas, cintilantes imagens
que lhes estrelam turvas trajetórias
Vida toda linguagem –
.....................................como todos sabemos
conjugar esses verbos, nomear
esses nomes:
.....................................amar, fazer, destruir,
homem, mulher e besta, diabo e anjo
e deus talvez, e nada.
Vida toda linguagem,
vida sempre perfeita,
imperfeitos somente os vocábulos mortos
com que um homem jovem, nos terraços do inverno,
....................................../ contra a chuva,
tenta fazê-la eterna – como se lhe faltasse
outra, imortal sintaxe
à vida que é perfeita
....................................língua
..............................................eterna.

4 comentários:

ROGEL SAMUEL disse...

mario faustino era um luxo
morreu jovem
genio

Jefferson Bessa disse...

impressiona a força dos versos de Mário Faustino. abraços, Rogel!

Gerana Damulakis disse...

Faustino era especial. De saída, um grande conhecedor de poesia.

Jefferson Bessa disse...

Oi, Gerana! Obrigado pela visita. Seja bem-vinda :-)

Beijos.

Jefferson.