quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

O Nada que É: um poema de João Cabral de Melo Neto


Um canavial tem a extensão
ante a qual todo metro é vão.

Tem o escancarado do mar
que existe para desafiar

que números e seus afins
possam prendê-lo nos seus sins.

Ante um canavial a medida
métrica é de todo esquecida,

porque embora todo povoado
povoa-o o pleno anonimato

que dá esse efeito singular:
de um nada prenhe como um mar.
do livro Agrestes.

2 comentários:

Mirze Souza disse...

João Cabral era um mestre na engenharia das palavras.

Muito bem escolhido esse poema!

Abraços, Jefferson!

Mirze

Hilton Valeriano disse...

Um obra prima!