sábado, 19 de março de 2011

Baco não quer altar nem quer admiração: um poema de Salvat Monho (1749-1821)

Baco não quer altar nem quer admiração.
Para os homens deixou somente uma instrução:
o vinho sem a água à vontade beberem,
se da morte manter-se a distância quiserem.

Se pensam que viver se reduz a existir,
felizes vamos ser e um bom gole ingerir.
Pois não sabemos como a vida prolongar,
Deixemo-nos beber se o coração mandar.

Se alguém se dá ao trabalho, então não perca a vez:
o copo está vazio, pode enchê-lo outra vez.
Gozar, até esquecer o que nos aborrece
e as lembranças ruins que ninguém esquece.

Bebamos outra vez; é como sói dizer:
que dois copos depois, o terceiro é um dever.
E se esse coração no fundo ainda é triste,
talvez o quarto copo enfim o reconquiste.


Tradução: Fábio Aristimunho Vargas
Livro: Poesia Basca (das origens a guerra civil)

2 comentários:

Raíz disse...

BACO! Nunca pude seguir seus preceitos. Mas o vinho só faz bem ao corpo e à alma.

Quem sabe, um dia eu me habitue!

Sempre acho mais sábias os poemas de antes do século XXI!

Salvat Monho, um nome para guardar.

Beijos, Jefferson!

Mirze

Luiz Filho de Oliveira disse...

Evoé, Jefferson. Que venha Baco, no vinho tinto ou branco ou nesse poema de Salvat Monho!