sábado, 26 de março de 2011

PARA FAZER UM SONETO: poema de Carlos Pena Filho





Tome um pouco de azul, se a tarde é clara,
e espere pelo instante ocasional.
Nesse curto intervalo Deus prepara
e lhe oferta a palavra inicial.


Aí, adote uma atitude avara:
se você preferir a cor local,
não use mais que o sol de sua cara
e um pedaço de fundo de quintal.


Se não, procure a cinza e essa vagueza
das lembranças da infância, e não se apresse,
antes, deixe levá-lo a correnteza.


Mas ao chegar ao ponto em que se tece
dentro da escuridão a vã certeza,
ponha tudo de lado e então comece.

2 comentários:

Amélia disse...

Já conhecia o soneto, que sempre me fez lembrar, a outro nível, o Pour faire le portrait d'un oisau do Jacques Prévert. Gosto de ambos.

Raíz disse...

Jefferson!

Ando encantada por esse príncipe: Carlos Pena Filho!

Ele fala de uma forma que parece ser quase um rabisco fazer um soneto como este e como o "Desmantelo Azul".

Um poeta com uma simplicidade do tamanho do seu saber.

Sou fã nº1 dele.

Beijos

Mirze