segunda-feira, 1 de agosto de 2011

meus livros: um poema de Jorge Luis Borges



Meus livros (que não sabem que eu existo)
São parte de mim como este rosto
De fontes grises e de grises olhos
Que inutilmente busco nos cristais
E com a mão côncava percorro.
Não sem alguma lógica armagura
Penso que as palavras essenciais
Que me expressam se encontram nessas folhas
Que não sabem que eu sou, não nas que escrevi.
Melhor assim. As vozes dos mortos
Vão me dizer para sempre.

tradução Josely Vianna Baptista

2 comentários:

MIRZE disse...

QUE MENTE!

Porque não somos todos assim?

Sensacional!

Beijos, Jefferson!

Mirze

teca disse...

Que mágico! "Meus livros (que não sabem que eu existo)"... se vê... poeta tem disso.
Um beijo, querido.