segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Soneto da paz: um poema de Joaquim Cardozo

Este soneto é natureza morta,
Traço na alvura, sombra de uma flor,
Sinal de paz que inscrevo em cada porta,
Gesto, medida de comum valor.


É letra e clave, é módulo que importa
Na redução da voz, do som. Calor
Do que vivido foi e inda comporta
Palpitação de implícito lavor.


Moeda que correu por muitas mãos,
Brinquedo que ficou perdido a um canto
Num lago de esquecidas esperanças.


Mas nos seus versos fecho os sonhos vãos
E em notas claras digo, exalto e canto:
– Paz! Paz! Brincai, adormecei, crianças!


CARDOZO, Joaquim. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2008. p. 203


O canto de paz de Joaquim Cardozo materializado, estampado na natureza. A paz de Joaquim chega no seu momento e espalha-se por todas as portas - é o sinal do poema que nos doa a paz, porque, enquanto sinal, o poema existe e ninguém poderá negar que ele mesmo é a paz; existe sendo a paz como um traço, como uma sombra, como uma pintura.
Dessa maneira é que corre este soneto, convidando muitas portas a ficarem abertas para este canto que é paz: brinquedo esquecido, mas que Joaquim, em notas claras, faz ressurgir para que com ela brinquemos feito crianças! (Jefferson Bessa)

4 comentários:

ROGEL SAMUEL disse...

o seu comentario abre as portas e varandas e cortinas e janelas dos sentidos poéticos

Jefferson Bessa disse...

Amigo, sua presença por aqui é sempre agradável. Obrigado pela leitura.

Um abraço.

Anônimo disse...

Parabéns pelo comentário. Você poderia disponibilizar as referências bibliográficas do soneto por favor? Agradeço.

Jefferson Bessa disse...

Agradecido pelo comentário! Segue a referência bibliográfica: CARDOZO, Joaquim. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2008. p. 203. É um soneto que faz parte do livro "Signo Estrelado".
Jefferson