terça-feira, 4 de dezembro de 2012

O CEGO: um poema de Rainer Maria Rilke




Ele caminha e interrompe a cidade,
que não existe em sua cela escura,
como uma escura rachadura
numa taça atravessa a claridade.

Sombras das coisas, como numa folha,
nele se riscam sem que ele as acolha:
só sensações de tato, como sondas,
captam o mundo em diminutas ondas:

serenidade; resistência -
como se à espera de escolher alguém, atento,
ele soergue, quase em reverência,
a mão, como num casamento.

Tradução: Augusto de Campos
Do livro Anjos e coisas de Rilke

2 comentários:

teca disse...

Tem coisas que eu só leio aqui... belo, belo...

Beijos, poeta.

Jefferson Bessa disse...

É belo mesmo, Teca! VocÊ é sempre bem-vinda. Beijos.