domingo, 27 de janeiro de 2013

MORMAÇO: POEMA DE GUILHERME DE ALMEIDA




Calor. E as ventarolas das palmeiras
e os leques das bananeiras
abanam devagar
inutilmente na luz perpendicular.
Todas as coisas são mais reais, são mais humanas:
não há borboletas azuis nem rolas líricas.
Apenas as taturanas
escorrem quase líquidas
na relva que estala como um esmalte.
E longe uma última romântica
— uma araponga metálica — bate
o bico de bronze na atmosfera timpânica.

Do livro: Apresentação da poesia brasileira. de Manuel Bandeira.

Um comentário:

teca disse...

Gostei! Não conhecia...

Beijos e flores.