quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Visita Noturna: um poema de Manuel Bandeira

Bateram à minha porta,
Fui abrir, não vi ninguém.
Seria a alma da morta?

Não vi ninguém, mas alguém
Entrou no quarto deserto
E o quarto logo mudou.
Deitei-me na cama, e perto
Da cama alguém se sentou.

Seria sombra da morta?
Que morta? A inocência? A infância?
O que concebido, abortou,
Ou o que foi e hoje é só distância?

Pois bendita a que voltou!
Três vezes bendita a morta
Quem quer que ela seja, a morta
Que bateu à minha porta.

Um comentário:

MIRZE disse...

Que coisa!

Um poeta assim, jamais existirá!

Um poema de ler ajoelhada.

Grata Jefferson!

Beijos

Mirze