domingo, 26 de setembro de 2010

A UMA FÁBRICA FECHADA: UM POEMA DE DOMINGOS CARVALHO DA SILVA


Atrás da pele de tuas paredes
os êmbolos dormem
e há nas sirenes um silêncio
de horizonte.
Os dínamos guardam o repouso
dos minerais ocultos,
as alavancas dobram os joelhos da laje.
Nas veias de cobre
o sangue é apenas um caminho de luz.

Quieta,
és como um esqueleto montado,
vazio de vozes humanas,
planeta morto.

Quieta
és uma pedra apenas, e em tua superfície
morre de inanição a última raiz do musgo.

Do livro À Margem do Tempo

4 comentários:

teca disse...

Grande! Um dos poetas da geração de 45!

Obrigada por compartilhar!

Beijocas.

Jefferson Bessa disse...

Sim, Teca! Domingos tem excelentes poemas. Obrigado pela visita. Beijos.

PRECIOSA disse...

Parabéns, pela escolha do poema..
Amei!
estarei sempre a visita-lo

sigo-te
Abraços
Preciosa Maria

Jefferson Bessa disse...

Maria, obrigado pela visita. Seja bem-vinda! Abraços.