segunda-feira, 19 de março de 2012

UM SONETO DE MÁRIO DE ANDRADE


Aceitarás o amor como eu o encaro?...
...Azul bem leve, um nimbo, suavemente
Guarda-te a imagem, como um anteparo
Contra estes móveis de banal presente.


Tudo o que há de melhor e de mais raro
Vive em teu corpo nu de adolescente,
A perna assim jogada e o braço, o claro
Olhar preso no meu, perdidamente.


Não exijas mais nada. Não desejo
Também mais nada, só te olhar, enquanto
A realidade é simples, e isto apenas.


Que grandeza...A evasão total do pejo
Que nasce das imperfeições. O encanto
Que nasce das adorações serenas.

Do livro A costela do Grão Cão

Um comentário:

Mirze Souza disse...

Jefferson!

Que soneto lindo!!!! Conheço e tenho um livro de Mário de Andrade, mas nunca tinha kido os sonetos.

Apaixonei-me!

Obrigada!

Mirze