terça-feira, 23 de novembro de 2010

Um soneto de Camões




Tanto de meu estado me acho incerto,
Que em vivo ardor tremendo estou de frio;
Sem causa, juntamente choro e rio;
O mundo todo abarco e nada aperto.

É tudo quanto sinto um desconcerto;
Da alma um fogo me sai, da vista um rio;
Agora espero, agora desconfio,
Agora desvario, agora acerto.

Estando em terra, chego ao Céu voando;
Numa hora acho mil anos, e é de jeito
Que em mil anos não posso achar uma hora.

Se me pergunta alguém porque assim ando,
Respondo que não sei; porém suspeito
Que só porque vos vi, minha Senhora.

5 comentários:

teca disse...

Camões em boa hora!

Por certo, um acerto!

Beijos, querido amigo!

Mai disse...

Sempre Camões, sempre.

E tudo é tão imenso...E belo.

abraços

Hilton Valeriano disse...

Um gigante! Belo!

Amélia disse...

Bom encontrar também aqui este outro imperador da língua pátria/mátria/frátria.

Mirze Souza disse...

Jefferson!

Como eram intensos e simples ao mesmo tempo, os versos desse gênio!
É sempre muito bom sair do Lusíadas e passear por poemas como este.

Uma verdadeira pérola!

Abraços

Mirze