quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Um poema de San Juan de La Cruz

Esposa

Ah! onde te escondeste,
Amado, e me deixaste este gemido?
Como o cervo correste,
havendo-me ferido;
saí por ti clamando, e eras já ido.

Pastores que subirdes
às malhadas, além, galgando o morro:
se a quem mais quero virdes,
pedi-lhe por socorro,
dizei-lhe que adoeço, peno e morro.

Buscando meus amores,
irei por entre montes e ribeiras;
não colherei as flores,
passarei sem temores
pelas feras e fortes e fronteiras.


De cântico espiritual
trad. Anderson Braga Horta

3 comentários:

Mirze Souza disse...

Jefferson!

Acho muito interessante e até sublime
a linguagem dos santos. Lendo "OS SERMÕES" de Pe Antonio Vieira, percebi que há sempre um clamor, sempre uma busca seguida de um caminho, como um pastoreio.

Talvez pela conformidade da irmã Morte, como recitava São Francisco, eles sobem e alcançam sem temor, a palavra certa.

Uma beleza de poema!

Fico feliz com suas colheitas.

Beijos

Mirze

teca disse...

Um verdadeiro abraço esse poema... obrigada por compartilhar.
Um beijo terno.

Hilton Valeriano disse...

A Espanha barroca! Como foi grande!