segunda-feira, 23 de julho de 2012

UM SONETO DE GREGÓRIO DE MATOS



Carregado de mim ando no mundo,
E o grande peso embarga-me as passadas,
Que como ando por vias desusadas,
Faço o peso crescer, e vou-me ao fundo.

O remédio será seguir o imundo
Caminho, onde dos mais vejo as pisadas,
Que as bestas andam juntas mais ornadas,
Do que anda só o engenho mais profundo.

Não é fácil viver entre os insanos,
Erra, quem presumir, que sabe tudo,
Se o atalho não soube dos seus danos.

O prudente varão há de ser mudo,
Que é melhor neste mundo o mar de enganos
Ser louco co's demais, que ser sisudo.



Do livro- Poemas Escolhidos

2 comentários:

teca disse...

Por aqui sempre se aprende um poema novo... obrigada.

Beijo carinhoso.

Um brasileiro disse...

ola. tudo blz? estive por aqui dando uma olhada. muito legal. apareça por la. abraços.