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sábado, 1 de agosto de 2020

Poema de Bertolt Brecht: "Soube que vocês nada querem aprender"



Soube que vocês nada querem aprender
Então devo concluir que são milionários.
Seu futuro está garantido – à sua frente
Iluminado. Seus pais
Cuidaram para que seus pés
Não topassem com nenhuma pedra. Neste caso
Você nada precisa aprender. Assim como está
Pode ficar.


Havendo dificuldades, pois os tempos
Como ouvi dizer, são incertos
Você tem seus líderes, que lhe dizem exatamente
O que tem a fazer, para que vocês estejam bem.
Eles leram aqueles que sabem
As verdades válidas para todos os tempos
E as receitas que sempre funcionam.
Onde há tantos a seu favor
Você não precisa levantar um dedo.
Sem dúvida, porém, se fosse diferente
Você teria o que aprender.


Poemas 1913-1956. Seleção e tradução de Paulo César de Souza. 

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Um poema de Bertolt Brecht



Quem construiu Tebas de sete portas?
Nos livros estão os nomes dos reis.
Foram os reis que arrastaram os blocos de pedra?
E as várias vezes destruída Babilónia —
Quem é que tantas vezes a reconstruiu?
Em que casas da Lima fulgente
de oiro moraram os construtores?
Para onde foram os pedreiros na noite em que ficou pronta
a Mu­ralha da China? A grande Roma
está cheia de arcos de triunfo. Quem os levantou?
Sobre quem triunfaram os césares?
Tinha a tão cantada Bizâncio
Só palácios para os seus habitantes?
Mesmo na lendária Atlântida
Na noite em que o mar a engoliu bramavam os
afogados pelos seus escravos.
O jovem Alexandre conquistou a Índia.
Ele sozinho?
César bateu os Gálios.
Não teria consigo um cozinheiro ao menos?
Filipe da Espanha chorou, quando a armada se afundou.
Não chorou mais ninguém?
Frederico II venceu na Guerra dos Sete Anos —
Quem venceu além dele?
Cada página uma vitória.
Quem cozinhou o banquete da vitória?
Cada dez anos um Grande Homem.
Quem pagou as despesas?
Tantos relatos
Tantas perguntas. 

Trad. Paulo Quintela

sábado, 4 de fevereiro de 2012

HOLLYWOOD: UM POEMA DE BERTOLT BRETCH


Toda manhã, para ganhar meu pão
Vou ao mercado, onde se compram mentiras.
Cheio de esperança
alinho-me entre os vendedores.

Tradução Haroldo de Campos

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

"O Vosso Tanque, General, É Um Carro-Forte": poema de Bertolt Brecht






Derruba uma floresta, esmaga cem homens,
Mas tem um defeito
-       Precisa de um motorista

O vosso bombardeiro, general, é poderoso:
Voa mais depressa que a tempestade e
transporta mais carga que um elefante.
Mas tem um defeito
-       Precisa de um piloto.

O homem, meu general, é muito útil:
Sabe voar, e sabe matar
Mas tem um defeito
-       Sabe pensar

tradução Joaquim Cardozo