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segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Prefiro rosas, meu amor, à pátria: um poema de Ricardo Reis




Prefiro rosas, meu amor, à pátria,
E antes magnólias amo
Que a glória e a virtude.

Logo que a vida me não canse, deixo
Que a vida por mim passe
Logo que eu fique o mesmo.

Que importa àquele a quem já nada importa
Que um perca e outro vença,
Se a aurora raia sempre,

Se cada ano com a primavera
As folhas aparecem
E com o outono cessam?

E o resto, as outras coisas que os humanos
Acrescentam à vida,
Que me aumentam na alma?

Nada, salvo o desejo de indif'rença
E a confiança mole
Na hora fugitiva.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Tão cedo passa tudo quanto passa - um poema de Ricardo Reis




Tão cedo passa tudo quanto passa!
Morre tão jovem ante os deuses quanto
.............Morre! Tudo é tão pouco!
Nada se sabe, tudo se imagina.
Circunda-te de rosas, ama, bebe
.............E cala. O mais é nada.

*detalhe de um desenho feito por Almada Negreiros

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

O sono é bom pois despertamos dele - Ricardo Reis



O sono é bom pois despertamos dele
Para saber que é bom. Se a morte é sono
Despertaremos dela;
Se não, e não é sono,


Conquanto em nós é nosso a refusemos
Enquanto em nossos corpos condenados
Dura, do carcereiro,
A licença indecisa.


Lídia, a vida mais vil antes que a morte,
Que desconheço, quero; e as flores colho
Que te entrego, votivas
De um pequeno destino.