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quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Marianne Moore: Poesia





POESIA


Também não gosto.

........Lendo-a, no entanto, com total desprezo, a

........................[ gente acaba descobrindo

nela, afinal de contas, um lugar para o genuíno.



Tradução de José Antonio Arantes

domingo, 9 de maio de 2010

Para uma girafa: um poema de Marianne Moore


Se é ilícito, para não ser fatal
ser pessoal, e indesejável

ser literal - prejudicial também se
o olho não é inocente - quer dizer que

só se pode viver nas folhas mais altas
alcançável apenas pelo bicho mais alto? -

dos quais as girafas é o melhor exemplo
o animal inconvencional/inconversacional*.

Quando atormentada pelo psicologizável,
uma criatura que teria sido irresistível

pode ser insuportável;
ou, para ser exata, excepcional

ou menos convencional/conversacional
do que certos animais emaranhados no emocional.

......Afinal
as consolações da metafísica podem ser
profundas. Em Homero, a existência

é uma falha; a transcendência, condicional;
"a jornada do pecado à redenção, perpetual".

* Ana C. não se decidiu entre (in)convencional e (in)conversacional (versos 8 e 13)

tradução: Ana Cristina César

TO A GIRAFFE

If it is unpermissible, in fact fatal
to be personal and undesirable

to be literal — detrimental as well
if the eye is not innocent — does it mean that

one can live only on top leaves that are small
reachable only by a beast that is tall? —

of which the giraffe is the best example —
the unconversational animal.

When plagued by the psychological,
a creature can be unbearable

that could have been irresistible;
or to be exact, exceptional

since less conversational
than some emotionally-tied-in-knots animal.

....After all
consolations of the metaphysical
can be profound. In Homer, existenceis

flawed; transcendence, conditional;
“the journey from sin to redemption, perpetual.”

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Dúvidas apócrifas de Marianne Moore - João Cabral de Melo Neto


Sempre evitei falar de mim,
falar-me. Quis falar de coisas.
Mas na seleção dessas coisas
não haverá um falar de mim?

Não haverá nesse pudor
de falar-me uma confissão,
uma indireta confissão,
pelo avesso,
e sempre impudor?

A coisa de que se falar
Até onde está pura ou impura?
Ou sempre se impõe, mesmo
Impuramente, a quem dela quer falar?

Como saber, se há tanta coisa
de que falar ou não falar?
E se o evitá-la, o não falar,
é forma de falar da coisa?

domingo, 15 de fevereiro de 2009

POESIA - Marianne Moore


Também não gosto.
Lendo-a, no entanto, com total desprezo, a
[ gente acaba descobrindo
nela, afinal de contas, um lugar para o genuíno.