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quarta-feira, 9 de março de 2016

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Livro GALÁXIAS de Haroldo de Campos

Galáxias estava esgotado. A 2º edição era de 2004 e a 3º edição (2011) foi publicada recentemente. O livro vem acompanhado de um cd no qual Haroldo recita trechos do livro. O experimentalismo do poema é essencialmente para ser ouvido. A oralidade forte como a oralidade de Guimarães. Rosa é da Língua dos Sertões-Mundo. Haroldo é da Língua das Cidades-Mundo. São inventa-línguas (alusão minha à alusão de Haroldo a Maiakóvski - "o povo é o inventa-línguas").


Caetano Veloso musicou um trecho de Galáxias. Circuladô de fulô. O cd de Fora da Ordem. Encontrei o áudio de Caetano no youtube. Vou postar. Não encontrei nenhum aúdio do próprio Haroldo recitando.





Circuladô de fulô ao deus ao demodará que deus te guie
Porque eu não posso guiá e viva quem já me deu circuladô
De fulô e ainda quem falta me dá soando como um shamisen
E feito apenas com um arame tenso um cabo e uma lata
Velha num fim de festafeira no pino do sol a pino mas para
Outros não existia aquela música não podia porque não
Podia popular aquela música se não canta não é popular
Se não afina não tintina não tarantina e no entanto puxada
Na tripa da miséria na tripa tensa da mais megera miséria
Física e doendo doendo como um prego na palma da mão
Um ferrugem prego cego na palma espalma da mão
Coração exposto como um nervo tenso retenso um renegro
Prego cego durando na palma polpa da mão ao sol

Circuladô de fulô ao deus ao demodará que deus te guie
Porque eu não posso guiá e viva quem já me deu circuladô
De fulô e ainda quem falta me dá

O povo é o inventalínguas na malícia da maestria no matreiro
Da maravilha no visgo do improviso tenteando a travessia
Azeitava o eixo do sol

Circuladô de fulô ao deus ao demodará que deus te guie
Porque eu não posso guiá e viva quem já me deu circuladô
De fulô e ainda quem falta me dá

E não peça que eu te guie não peça despeça que eu te guie
Desguie que eu te peça promessa que eu te fie me deixe me
Esqueça me largue me desamargue que no fim eu acerto
Que no fim eu reverto que no fim eu conserto e para o fim
Me reservo e se verá que estou certo e se verá que tem jeito
E se verá que está feito que pelo torto fiz direito que quem
Faz cesto faz cento se não guio não lamento pois o mestre
Que me ensinou já não dá ensinamento

Circuladô de fulô ao deus ao demodará que deus te guie
Porque eu não posso guiá eviva quem já me deu circuladô
De fulô e ainda quem falta me dá


sexta-feira, 3 de junho de 2011

Secos & Molhados e Manuel Bandeira: Rondó do Capitão




Bão balalão,
Senhor capitão,
Tirai este peso
Do meu coração.
Não é de tristeza
Não é de aflição:
É só de esperança,
Senhor capitão!
A leve esperança,
Senhor capitão!
A leve esperança,
A aérea esperança...
Aérea, pois não!
- Peso mais pesado
Não existe não.
Ah, livrai-me dele,
Senhor capitão!

Poema de Manuel Bandeira incluído no livro Lira dos Cinquent'anos
8 de outubro de 1940

domingo, 29 de maio de 2011

Secos & Molhados e Fernando Pessoa



Não: não digas nada!
Supor o que dirá
A tua boca velada
É ouvi-lo já.

É ouvi-lo melhor
Do que o dirias.
O que és não vem à flor
Das frases e dos dias.

És melhor do que tu.
Não digas nada: sê!
Graça do corpo nu
Que invisível se vê.
(Fernando Pessoa)

domingo, 8 de agosto de 2010

Chico Buarque: Paratodos


O meu pai era paulista / Meu avô, pernambucano / O meu bisavô, mineiro/ Meu tataravô, baiano/ Meu maestro soberano/ Foi Antonio Brasileiro

Foi Antonio Brasileiro/ Quem soprou esta toada/ Que cobri de redondilhas/ Pra seguir minha jornada / E com a vista enevoada/ Ver o inferno e maravilhas

Nessas tortuosas trilhas / A viola me redime / Creia, ilustre cavalheiro / Contra fel, moléstia, crime / Use Dorival Caymmi / Vá de Jackson do Pandeiro

Vi cidades, vi dinheiro / Bandoleiros, vi hospícios / Moças feito passarinho / Avoando de edifícios / Fume Ari, cheire Vinícius / Beba Nelson Cavaquinho

Para um coração mesquinho / Contra a solidão agreste / Luiz Gonzaga é tiro certo / Pixinguinha é inconteste / Tome Noel, Cartola, Orestes / Caetano e João Gilberto

Viva Erasmo, Ben, Roberto / Gil e Hermeto, palmas para / Todos os instrumentistas / Salve Edu, Bituca, Nara / Gal, Bethania, Rita, Clara / Evoé, jovens à vista

O meu pai era paulista / Meu avô, pernambucano / O meu bisavô, mineiro / Meu tataravô, baiano/ Vou na estrada há muitos anos/ Sou um artista brasileiro


sexta-feira, 21 de maio de 2010

Hermeto Pascoal e Música na Lagoa


Este vídeo tem o valor de mostrar como se faz música diretamente de elementos simples. Hermeto e os outros músicos são pajés da música na floresta. Literamente dentro d'água, fazem experimentações sonoras. Literalmente dentro da floresta, espalham sons como fazem os pássaros.
Quando, no início do vídeo, fazem um círculo dentro da cachoeira, pensei imediatamente na imagem de pajés, mas , no caso, iniciando rituais musicais no estilo bastante compassado dos indígenas. Daí surgem garrafas e com as quais irão "mover" a floresta. São os meninos também "Orfeus"? Podem ser também.
Mas Hermeto e seus companheiros dão "um banho" em muita gente, porque são mágicos-curandeiros de sons. A pajelança é grandiosa quando Hermeto, no fim do vídeo, desce ao fundo das águas da floresta...

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Milagres do povo: Caetano Veloso

Quem é ateu e viu milagres como eu

Sabe que os deuses sem Deus

Não cessam de brotar, nem cansam de esperar

E o coração que é soberano e que é senhor

Não cabe na escravidão, não cabe no seu não

Não cabe em si de tanto sim

É pura dança e sexo e glória, e paira para além da história


Ojuobá ia lá e via Ojuobahia

Xangô manda chamar

Obatalá guia

Mamãe Oxum chora lágrimalegria

Pétalas de Iemanjá Iansã-Oiá ia

Ojuobá ia lá e via

Ojuobahia

Obá


É no xaréu que brilha a prata luz do céu

E o povo negro entendeu que o grande vencedor

Se ergue além da dor

Tudo chegou sobrevivente num navio

Quem descobriu o Brasil?

Foi o negro que viu a crueldade bem de frente

E ainda produziu milagres de fé no extremo ocidente

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

O Quereres: Caetano Veloso

Quem quiser assistir ao vídeo ao vivo, clique aqui. Caetano e Chico cantam juntos.

Onde queres revólver, sou coqueiro
E onde queres dinheiro, sou paixão
Onde queres descanso, sou desejo
E onde sou só desejo, queres não
E onde não queres nada, nada falta
E onde voas bem alto, eu sou o chão
E onde pisas o chão, minha alma salta
E ganha liberdade na amplidão.

Onde queres família, sou maluco
E onde queres romântico, burguês
Onde queres Leblon, sou Pernambuco
E onde queres eunuco, garanhão
Onde queres o sim e o não, talvez
E onde vês, eu não vislumbro razão
Onde o queres o lobo, eu sou o irmão
E onde queres cowboy, eu sou chinês.

Ah! Bruta flor do querer
Ah! Bruta flor, bruta flor

Onde queres o ato, eu sou o espírito
E onde queres ternura, eu sou tesão
Onde queres o livre, decassílabo
E onde buscas o anjo, sou mulher
Onde queres prazer, sou o que dói
E onde queres tortura, mansidão
Onde queres um lar, revolução
E onde queres bandido, sou herói.

Eu queria querer-te amar o amor
Construir-nos dulcíssima prisão
Encontrar a mais justa adequação
Tudo métrica e rima e nunca dor
Mas a vida é real e de viés
E vê só que cilada o amor me armou
Eu te quero (e não queres) como sou
Não te quero (e não queres) como és.

Ah! Bruta flor do querer
Ah! Bruta flor, bruta flor.

Onde queres comício, flipper-vídeo
E onde queres romance, rock’n roll
Onde queres a lua, eu sou o sol
E onde a pura natura, o inseticídio
Onde queres mistério, eu sou a luz
E onde queres um canto, o mundo inteiro
Onde queres quaresma, fevereiro
E onde queres coqueiro, eu sou obus.

O quereres e o estares sempre a fim
Do que em mim é de mim tão desigual
Faz-me querer-te bem, querer-te mal
Bem a ti, mal ao quereres assim
Infinitivamente pessoal
E eu querendo querer-te sem ter fim
E, querendo-te, aprender o total
Do querer que há e do que não há em mim.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Joni Mitchell - Help Me




Help me
I think I'm falling
In love again
When I get that crazy feeling
I know I'm in trouble again
I'm in trouble
'cause you're a rambler and a gambler
and a sweet-talking ladies man
And you love your loving
But not like you love your freedom

Help me
I think I'm falling
In love too fast
It's got me hoping for the future
and worrying about the past
'cause I've seen some hot hot blazes
come down to smoke and ash
We love our loving
But not like we love our freedom

Didn't it feel good
we were sitting there talking
or there not talking
Didn't it feel good
You dance with the lady with the hole in her stocking
Didn't it feel good
Didn't it feel good
Didn't it feel good
Didn't it feel good

Help me
I think I'm falling
In love with you
Are you going to let me go there by myself
That's such a lonely thing to do
Both of us flirting around
Flirting and flirting
Hurting too
We love our loving
But not like we love our freedom

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Air - Le soleil est près de moi

Love 2 é o novo cd da dupla francesa Air (Jean-Benoit Dunckel e Nicolas Godin). Mas como não encontrei nenhum vídeo do recente álbum, vou postar um clipe de uma música mais antiga (de 1999). Este clipe é dirgido por Mike Mills e tem um clima de nouvelle vague. É um clipe-documentário que exibe dentre algumas coisas: momentos de viagem, de preparação e de apresentação da dupla e sua banda. O nome da música: Le soleil est près de moi.


segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Vento de Maio de Lô Borges na voz de Elis Regina



Vento de maio
Rainha de raio
Estrela cadente

Chegou de repente
O fim da viagem
Agora já não dá mais pra voltar atrás

Rainha de maio valeu o teu pique
Apenas para chover no meu piquenique
Assim meu sapato coberto de barro

Apenas pra não parar nem voltar atrás
Chegou de repente o fim da viagem
Agora já não dá mais...

Nisso eu escuto no rádio do carro a nossa canção
Sol girassol e meus olhos abertos pra outra emoção
E quase que eu me esqueci que o tempo não pára
Nem vai esperar

Vento de maio rainha dos raios de sol
Vá no teu pique estrela cadente até nunca mais
Não te maltrates nem tentes voltar o que não tem mais vez
Nem lembro teu nome nem sei
Estrela qualquer lá no fundo do mar.

domingo, 9 de agosto de 2009

Três vezes o Mal Secreto : Raimundo Correia, Waly Salomão e Jards Macalé, Gal Costa

Podemos encontrar um diálogo fecundo entre os clássicos versos de Raimundo Correia e os versos de Waly Salomão. Para além de qualquer surpresa ou espanto, temos aqui o encontro entre um poeta parnasiano e um poeta e um músico/compositor conhecidos como "marginais". A leitura que cria é a mesma que faz o poeta criar a si mesmo. Esse poema foi cantado por Gal Costa no álbum -FA-TAL - de 1971.

MAL SECRETO(Raimundo Correia)

Se a cólera que espuma, a dor que mora
N'alma, e destrói cada ilusão que nasce,
Tudo o que punge, tudo o que devora
O coração, no rosto se estampasse;

Se se pudesse o espírito que chora,
Ver através da máscara da face,
Quanta gente, talvez, que inveja agora
Nos causa, então piedade nos causasse!

Quanta gente que ri, talvez, consigo
Guarda um atroz, recôndito inimigo,
Como invisível chaga cancerosa!

Quanta gente que ri, talvez existe,
Cuja ventura única consiste
Em parecer aos outros venturosa!,

MAL SECRETO
(Waly Salomão; música: Jards Macalé)

Não choro
Meu segredo é que sou rapaz esforçado
Fico parado, calado, quieto
Não corro, não choro, não converso
Massacro meu medo
Mascaro minha dor
Já sei sofrer
Não preciso de gente que me oriente
Se você me pergunta “como vai”?
Respondo sempre igual “tudo legal”
Mas quando você vai embora
Movo meu rosto do espelho
Minha alma chora
Vejo o Rio de Janeiro
Comovo, não salvo, não mudo
Meu sujo olho vermelho
Não fico parado, não fico calado, não fico quieto
Corro, choro, converso
E tudo mais jogo num verso
Intitulado Mal Secreto