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sexta-feira, 4 de julho de 2014

POEMA DE ROGEL SAMUEL



despertar paredes brancas
despertar paredes brancas, despertar
brancas folhas de papel dormentes
desviar o curso de um regato na encosta
da floresta que canta a sua canção de vento
entornar um pouco desse copo automático
funcionar minhas molas de rascunho pressionadas
retomar o fio da leitura interrompida
iludir o tempo de marcar esta postagem



Este poema está presente no novo blog de poemas de Rogel Samuel. Para visitá-lo, clique AQUI.

sexta-feira, 14 de março de 2014

MODERNAS TEORIAS LITERÁRIAS: novo livro de Rogel Samuel



ÚNICO LUGAR ONDE ESTE LIVRO É VENDIDO:
http://www.portalentretextos.com.br/livraria-online.html
É UM EDITOR DE TERESINA-PI

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Poemas: ROGEL SAMUEL E JEFFERSON BESSA




Após o poema Cheguei há pouco:



De Rogel Samuel para Jefferson Bessa:

li há pouco
o seu poema corpo
o corpo do seu poema
as coisas que com o corpo
fazem
li e sonho
com o alheio quarto
do alheio gozo
do poema


De Jefferson Bessa para Rogel Samuel

poema lido, escrito:
que respira
o alheamento
dos olhos, do corpo
do poema.
poema lido, escrevo:
neste quarto
que habitamos.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Não tendo chegado as flores: poema de Rogel Samuel



120.NÃO TENDO CHEGADO AS FLORES

De primavera, gozo o prazer
de dar-te a prévia rosa
queiramos ou não que desabroche
na mão da tua lâmina terna
e sem dizer o que devemos
ponho os olhos nos limites da estrada.
Quem assim te afague, ó meu amor
que ainda te amo como agora
folha da tua árvore querendo
ver-te como estrela
o mais de sobretodas as senhoras
olham de perto o incerto par.
Sejamos lógicos com estas grinaldas
de primavera que inventei sem peso
me apaixonei sem me aproximar.

Do livro 120 poemas de Rogel Samuel. Para ler clique aqui.

domingo, 6 de março de 2011

O poema VERSO-SERPENTINA de Jefferson Bessa

Pierrot - Pablo Picasso


Verso-serpentina de Jefferson Bessa

(enquanto festejam lá fora
eu aqui sentado escrevo
e sinto sentado.
quatro da manhã
depois de já dormir
penso na vaidade de um verso
que se quer registrar,
que se quer lido)

então um verso-serpentina
enrolado ao tempo breve
feito para jogar ao chão
em ondulação aérea

ouvindo
um verso claro
- que em seu curso
se evapora na dança de fazê-lo
como quem brinca
- sem fantasia,
sem co
(memoração)



Um amigo me lembrou de um poema que escrevi em 2009. Sugeriu que o postasse no blog por conta do momento de festa no país.




Agradeço e adiciono a esta postagem o poema do Rogel Samuel para Jefferson Bessa:



SEU VERSO SERPENTEIA
NA MINHA IMAGINAÇÃO
CARNAVALESCA

solta
livre
enroscada
essa serpentina
faz
meu carnaval

sábado, 20 de março de 2010

Poema de Rogel Samuel - Profissão: poeta


Depois eu gostaria de assumir como minha profissão: [poeta.
Quem é você?
Um poeta.
Que faz?
Escrevo versos.
Você vive disso?
Sim, vivo.
Quero dizer: você paga as suas contas com seus versos?
Ninguém tem que pagar para ser.
E por aí vai a questão.
Que é ser poeta? Como se define o ser?

Retirado do blog de Rogel Samuel

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

minha identidade se perde em tua id: um poema de Rogel Samuel


minha identidade se perde em sua id
e me perdi ali, que dissolvido
estou no ser amado em seu destino.
que se me vejo no reflexo de seus versos
já dividido sou nos seus espelhos
nem busco estar no todo de suas partes
mas no dorso, em procurando
a casa inteira dei-me conta
que só de números me inscrevo
e recebo identidade e assim percorro
os seus ombros, os seus pelos, o lenho exposto
sobre os anelados dos cabelos
e a linda curvatura do pescoço.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Um poema de Rogel Samuel

transforma-se o amador em terrorista
e sua inês fálica na pista
em seus braços onde levará?
interdita por preservativos
sua beatriz de amor armada
quando ama mata o amado
punhal pelúcia escondida
eles se encontram na vida
com amor com ódio com cida
maquilagem fementida
salto alto escorregadia via
no vão da escada se masturbam vivos
gameta estrela circunstância pia
nos cines pornôs e hotéis baratos
eles se ajoelham escondidos.
suas crianças desde que perdidas
tão perigosas assaltantes nuas
à noite transadas pelas ruas
por milicianos que a querem vivas
contaminadas nas suas mágicas rotas
de polícias especializadas
no desejo na espera e nessa dor
erotizadas dos primeiros gozos
postais sextantes dessa corja aziaga
de escória e de glórias clandestinas
guirlandas estupradas nesses montes de lixo
de restos de hospitais a flor da morte
(dia virá em que os amantes
serão caçados a bala)

domingo, 29 de novembro de 2009

poema-resposta entre Rogel Samuel e Jefferson Bessa



A partir do poema Minha letra é outra, surgiu um poema-resposta entre Rogel Samuel e Jefferson Bessa.


Rogel Samuel escreveu:



para Jefferson Bessa


seu poema está imerso
nessas ondas do fundo
que confundem são gavetas
são marcas dágua
são dunas de um outro mundo
são gravações agravadas
onde o poema dorme, gravado
mas solto, engavetado
mas aéreo, eu disse
que essa sua nova fase
de sua poesia vai ser gravada
nas ondas desse mar
desse colorido mar
nas ondas do fundo da memória
desses computadores-leitores
a cores
ou leitores em preto e branco e agora
em ondas vermelhas pretas e azuis
concentradas
concêntricas
fecundas
postadas
gravadas
água
água e areia
água
tinta de cor de água
água e tinta de água e cor

***

Jefferson Bessa escreveu:


nossas águas-palavras (para Rogel Samuel)


palavra úmida
em palavra água
gravada em seiva
em leitura água-viva.

palavra-ondina
amistosa fluvial.
é nossa face que vibra
por entre a tela líquida.

letras postadas
móveis nos corpos
na confluência de ondas
escritas, magnéticas.

é tinta de olhos
pela entre-onda
muito atenta e diluída
que ondula o poema.

domingo, 8 de novembro de 2009

O livro Falo: a poesia de Paulo Augusto

Falo de Paulo Augusto é o canto FÁLICO da VOZ do poeta. Mas o FALO se torna também um “EU FALO” – e ambos são a CORAGEM do poeta de cantar a homossexualidade. Mas esta voz libertária, erótica e visceral se espalha e atravessa o país identificando as injustiças com ele (enquanto gay) e com os outros (enquanto coletividade). Dessa maneira é que o livro exibe Ele e o Nordeste (sobretudo) na arena das perseguições da tirania e da violência na sociedade. Entretanto, o livro tem a força de libertar-se dessas amarras, pois se impõe como aguerrido. A força e a alegria do poeta vibram, porque tudo ainda está para ser feito, nada está acabado. Tudo é vivido intensamente, tudo é vivido como um porvir.
O corpo que é amor, delicadeza e erotismo é o mesmo corpo que grita e guerrilha. Momentos como os dos seguintes versos mostram que os ataques e perseguições acontecem porque sabe que é maravilhoso,/ ser fresco/ como um dia de Domingo/ ensolarado e pendurado/ no varal. É o poeta na simplicidade de saber que ser o que é vale a vida.
Versos soltos, livres que explodem numa energia própria de quem quer amar e para tanto está pronto para lutar. Diz: “João, pense no que diz como se morresse”. E dialoga diretamente com os Homens, com a América e com o Mundo Todo.
O livro está disponível no blog Livros Online de Rogel Samuel; para lê-lo clique aqui.
Jefferson Bessa

Dois poemas do livro FALO de Paulo Augusto:

SYSTEM-ATTICA

Porque sou fresco,
hábil, lépido,
a gerontocracia sente medo,
se arrepia como um rato.
Cospe leis, editos, atos.
Se agasalha, modorrenta, rouca,
recua na cadeira de balanço
botando graxa
na dobradiça das pernas.
A tosse, a vista cansada,
a velha despótica me espreita.

Quando exibo meu porte,
meu corte,
me chama de trans
viado me cobra pedágio - a doida
quer me ver casado,
parindo mão-de-obra
para eternizá-la.
Para destruí-la, esterilizo-me.
Minha praxis.
Por puro capricho
me amedronta, me persegue, me degrada.
Nego, renego, faço ouvido mouco.
Se me encontra pela rua
madrugada
quer violentar-me,
ver meus documentos,
me revista e se delicia
apalpando minhas partes,
pensa em coito.
Nego, renego, abomino.
E ficamos eternamente
nessa cachorrada.

Quer me tributar,
me chupar – foder-me
porque sabe que é maravilhoso,
ser fresco
como um dia de Domingo
ensolarado e pendurado
no varal.

POEMA PARA AS MÃOS DE ANTÔNIO

Essa mão que me segura
pelo pescoço,
me sacode e me revista,
essa mão eu amo.

Toda vez que vai ao coldre
leva um beijo meu.

Se atira pedras
e arrebenta vidros,
assusta gente, cidades,
eu gozo - ela é minha.

Nas sombras de minhas colchas
desliza atrevida
em partes que eu não permito.

Silencia, vibra, fala
- abarca tudo que vê,
ambiciosa e chula.

Se peço que pare,
avança - adoro!
Louca, impura, grossa,
entra aonde não deve,
cava, coça, atira e treme,
goza - banha-se
no meu torpor,
vive para acarinhar
meu rosto
e me bater
se grito
quando quer me amar.


sábado, 29 de agosto de 2009

A velha casa e seus poemas: Rogel Samuel e Jefferson Bessa


O poeta Rogel Samuel escreveu:

A meu poema "casa abandonada", o poeta Jefferson Bessa escreveu uma resposta:


casa abandonada (Rogel Samuel)


as janelas estavam assassinadas
assistiam a tudo
ao mar, às aves, à montanha
nunca mais fechadas
fecundas de vento
arrebatadas de sol
batidas pelo firmamento
e as janelas nunca mais se fecharam
porque não havia ninguém mais lá dentro
porque os poros da casa se abriram
às verdejantes trepadeiras
que cobriam todo passado

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Esta casa (Jefferson Bessa)


Esta casa é
O abrigo do poema.

E respiram as paredes
A verde-planta do tempo.
Crescem por sobre a casa
O olhar presente do passado
De entre-ver nossas janelas
Que não se trancam mais.
Por lá não ter ninguém
É que elas me olham.
Por nenhuma noite mais
Fecharei minhas cortinas.

Este poema é
O abrigo desta casa.


-----------------


Minha resposta (Rogel Samuel)


Por lá não há mais ninguém
nesta casa abandonada
nem os fantasmas esguios
nem as fadas enamoradas
nem mendigos nem ninguém
mesmo o tempo por lá não encosta
mesmo as recordações se desfazem
as memórias as cansadas
naves da madrugada
cinzas do que passou
solidão das marés
esquecimento e silêncio

sábado, 11 de julho de 2009

A interrogação em Mar de Rogel Samuel


Mar



onde está, onde
onde está no horizonte
onde está o destino
por onde se vai nesta barca
por onde navegar assim
neste mar de incertezas
neste caminho sem pista
se por que vagueamos em claros
na grande muralha de atalhos
perdidos labirintos
pássaros de bicos frios
flores de asas mortas
e em embrulhadas falas
mulheres e homens nas tramas
de suas rotas?


Poema retirado do blog de Rogel Samuel

O texto por inteiro é uma interrogação. Esta, então, por si só já traz a aventura do poema de Rogel Samuel. Mas qual será a resposta? Para o poema não há resposta, já que a pergunta tem a força de ser ela mesma. O mar traz - mais do que a incerteza – o movimento dos difíceis atalhos nos quais vamos embrulhando nossas falas, nossos versos. Vamos tramando alguns passos que encontram pelo meio do caminho objetos aparentemente mortos. Mas poderíamos insistir na interrogação do poema que é a sua vida seguindo a busca sem encontrar a resposta. Por meio disso não se define nada, pois o que há de mais forte é saber que o poema impele a vida tateando, navegando por rotas que sempre terão em si a interrogação. (Jefferson Bessa)

domingo, 17 de maio de 2009

Há muito tempo vejo nos ares - Rogel Samuel


Há muito tempo vejo nos ares
um surto sons perfumes luminosidades
perto de todos e das coisas.

Há muito tempo surto. Me iludo.

Há muito tempo invoco os desconhecidos deuses.

Estarei só? Os deuses me voam no espaço.

Há muito tempo não estou só.
Refiro-me a esses deuses, que imagino. Nesta sala.

(rogel samuel, 02.05.09)

Do blog: http://rogelsamuelnovospoetas.blogspot.com/

quarta-feira, 11 de março de 2009

Do poema "Veludoso Coro" de Rogel Samuel - Jefferson Bessa



Veludoso coro
Desta ameixeira
Quando pomos d’ouro
Cobrem a cumeeira
Sobre todos nós
Sua eletricidade
Melodioso foro
De felicidade.


No poema “Veludoso coro” de Rogel Samuel, algo está sobre nós: uma ameixeira. Submetemo-nos a ela para nos abrir a uma harmoniosa melodia, pois é sob ela que podemos deixar surgir uma vida em plenitude. O teto formado por ameixas nos cobre para além de uma submissão egoísta de inferioridade. Pelo contrário, na grande simplicidade de nos colocar sob a ameixeira a que nos convida o poeta está o que nos abre a uma energia suave e harmônica.

Tal energia exala do poema e dos frutos dourados que reluzem a felicidade: esta é a eletricidade sonora que desce aos homens. Ouvimos o canto da felicidade quando o poeta nos leva à ameixeira. Ela, que nos cobre, possui uma música de textura veludosa que possui o sentido de um canto sinestésico. É que pelo cruzamento sensorial simultâneo da visão, do tato e da audição temos o corpo aberto aos frutos que re-unem todos homens e o mundo.

Pela forte visualidade e movimento que o poema desperta, somos cobertos pelo poema que, como a ameixeira, sinaliza uma música táctil e visual. Sonoridade que levanta a felicidade para nos encobrir de uma claridade presente no tecido musical macio, feliz e simples da ameixeira.