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quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Um poema de San Juan de La Cruz

Esposa

Ah! onde te escondeste,
Amado, e me deixaste este gemido?
Como o cervo correste,
havendo-me ferido;
saí por ti clamando, e eras já ido.

Pastores que subirdes
às malhadas, além, galgando o morro:
se a quem mais quero virdes,
pedi-lhe por socorro,
dizei-lhe que adoeço, peno e morro.

Buscando meus amores,
irei por entre montes e ribeiras;
não colherei as flores,
passarei sem temores
pelas feras e fortes e fronteiras.


De cântico espiritual
trad. Anderson Braga Horta