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quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Um poema de Eugénio de Andrade


Eu amei esses lugares
onde o sol
secretamente se deixava acariciar.

Onde passaram lábios,
onde as mãos correram inocentes,
o silêncio queima.

Amei como quem rompe a pedra,
ou se perde
na vagarosa floração do ar.

Do livro Matéria Solar

sábado, 6 de março de 2010

Foi para ti que criei as rosas: poema de Eugénio de Andrade



Foi para ti que criei as rosas.
Foi para ti que lhes dei perfume.
Para ti rasguei ribeiros
e dei às romãs a cor do lume.


Foi para ti que pus no céu a lua
e o verde mais verde nos pinhais.
Foi para ti que deitei no chão
um corpo aberto como os animais.